Por: diario | 14/05/2019

Há pelo menos 60 milhões de anos, os meliponíneos, conhecidos como Abelhas Sem Ferrão (ASF), sendo essas nativas ou indígenas, habitam o planeta. E para quem acha que a principal finalidade de uma abelha é produzir mel, se engana. No Alto Vale a meliponicultura vem ganhando cada vez mais espaço. O pequeno grupo que iniciou com o nome de “Amigos das abelhas sem ferrão”, hoje se tornou uma associação e juntos somam quase 50 associados, entre homens e mulheres.

O presidente da Associação Amigos das Abelhas Sem Ferrão e também meliponicultor, Ricardo Raizer, comenta que inicialmente a associação foi criada de modo bastante informal. Com o passar do tempo a atividade veio ganhando maior representatividade e então foi necessária a formalização, para que de fato o grupoconseguisse promover as suas atividades.

“Em 2016 aconteceu a formação da primeira turma de meliponicultores no Instituto Federal Catarinense e nos últimos dias de aula decidimos criar um grupo do watts para divulgar a meliponicultura. Elencamos uma diretoria na época que ficou até 2018. Em 2019 fizemos uma nova chapa para elencar novos representantes. Os principais objetivos eram o aumento do número de exposições e transformar esse grupo em uma Associação com CNPJ. E isso está caminhando em cartório e logo estaremos com o nosso CNPJ. Hoje nós não temos sede própria, e cada mês a reunião é feita na casa de uma pessoa, então pretendemos construir uma sede”, explica.

Além de apaixonante, a meliponicultura, que é a criação racional de abelhas sem ferrão, se firma cada vez mais como uma atividade rentável para a agricultura familiar na região. O meliponicultor da cidade de Ituporanga, Luiz Eduardo Passig, comenta que o interesse pela atividade surgiu durante as aulas de Agronomia no Instituto Federal Catarinense, onde participou de uma capacitação e desde lá, pegou gosto e iniciou o trabalho e o cuidado com as abelhas.

“Agora eu estou focando mais na preservação e não tanto para a finalidade comercial, minha intenção é explorar e conhecer mais, trocar as espécies, participar de cursos. Eu vejo a meliponicultura como uma forma de não deixar esses seres vivos serem extintos. Além disso a atividade é bastante rentável e vem fazendo parte da movimentação da agricultura familiar. É ainda uma forma de trocar experiências com produtores de vários lugares”, comenta.

É fácil justificar tanta admiração por esses bichos. Além de dóceis e donas de uma beleza sem igual, elas não costumam atacar seus criadores. Produzem cera, própolis e mel com propriedades medicinais e cosméticas surpreendentes. “A gente na associação, caminha juntos. Hoje nós por conta própria buscamos capacitações para aprender ainda mais. Por exemplo, aconteceu há pouco tempo um curso de sabonete de própolis, ministrado por duas mulheres de Joinville. Além disso a associação realiza exposições no calçadão para que a comunidade possa conhecer o nosso trabalho”, explica Passig.

Curso gratuito

Em Rio do Sul, existe um curso para aprender como se tornar um meliponicultor. A capacitação é gratuita e é uma iniciativa do Instituto Federal Catarinense. Ministrada pelo professor Sigfrid Fromming, são 160 horas distribuídas entre fevereiro e novembro, tendo 140 horas presenciais e 20 à distância com a apresentação de um relatório final. As aulas são à noite uma vez por semana e a parte prática ocorre em um dia do fim de semana de cada mês.

O principal objetivo do curso é capacitar os interessados, para manejar e criar as diferentes espécies de abelhas sem ferrão, além de divulgar e expandir a atividade nas propriedades rurais. A duração para se tornar um profissional capacitado leva em média um ano, mas existem cursos intensivos de curta duração para quem preferir.

Exposição na Agrovale

A associação que é sempre muito ativa, principalmente em eventos agrícolas, este ano estará participando com um estande na Agrovale que inicia sexta-feira (17) e segue até domingo (19). O presidente comenta que além da exposição de abelhas haverá uma espécie de rifa aos interessados e o prêmio, é claro, será caixas com enxames contendo famílias de abelhas sem ferrão.

“Vamos realizar um sorteio com números de um a 100 e a pessoa que visitar o estande e tiver interesse na meliponicultura poderá comprar quantos números quiser no valor de R$ 10. Nós vamos ter uma planilha com, nome, número escolhido e número de telefone e no último dia iremos fazer o sorteio, divulgando o ganhador”, explica.

Curiosidades

Existem atualmente, mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão. Esses animais já estiveram à beira da extinção e hoje podem ser criadas em casa ou até mesmo em apartamentos. Essas abelhas produzem ainda um mel diferenciado com um delicioso sabor. A multiplicação racional e venda de suas colônias vem sendo hoje uma ótima alternativa de renda no campo. Os animais também são admiráveis por sua organização e capacidade produtiva.

Tatiana Hoeltgebaum