Por: diario | 12/05/2016

O plenário do Senado Federal aprovou nesta quinta-feira a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff por 55 votos a favor e 22 contra. Com a decisão, ela fica afastada do mandato por até 180 dias. Com o afastamento de Dilma, o vice Michel Temerassume a Presidência da República. Após o afastamento a presidente se pronunciou no Palácio do Planalto.

Confira os principais trechos do discurso:

“Tratam como crime um ato corriqueiro de gestão. Acusam-me de atrasar pagamentos do Plano Safra, é falso. Meus acusadores sequer conseguem dizer qual ato pratiquei. Além disso, nada restou para ser pago, nem dívida. O golpe não visa apenas me destituir. Ao destituir o meu governo, querem na verdade impedir a execução do programa que foi escolhido pelo voto majoritário. Durante todo esse tempo tenho sido também uma fiadora zelosa do estado democrático de direito. Meu governo não concedeu nenhum ato repressivo contra movimentos sociais ou manifestantes de qualquer posição política. O maior risco para o país nesse momento é ser guiado por um governo sem voto”.

“O objetivo tem sido me impedir de governar e, assim, forjar o ambiente propício ao golpe. Quando uma presidente é afastada por um crime que não cometeu, o nome que se dá a isso não é impeachment, é golpe. Não cometi crime de responsabilidade, não há razão para um processo de impeachment, não tenho contas no exterior, nunca recebi propina, jamais compactuei com corrupção. Dilma diz que é alvo de uma “farsa jurídica”. “Posso ter cometido erros, mas não cometi crimes. Estou sendo julgada injustamente por ter feito tudo que a lei me autorizava a fazer”.

“Já sofri a dor indizível da tortura, a dor aflitiva da doença, e, agora, sofro, mais uma vez, a dor inominável da injustiça. O que mais dói nesse momento é a injustiça, é perceber que estou sendo vítima de uma farsa jurídica e política. Mas não esmoreço. Olho para trás e vejo tudo que fizemos. Olho para frente e vejo tudo que ainda precisamos fazer”.

“Confesso que nunca imaginei que seria necessário lutar contra um golpe em meu país. Nossa democracia jovem, feita de lutas, feita de mortes, não merece isso. Aos brasileiros contrários ao golpe, faço um apelo: mantenham-se mobilizados, unidos e em paz. A luta pela democracia não tem data para terminar, é permanente e exige de nós dedicação constante. Jamais vamos desistir. Jamais vou desistir de lutar. Muito obrigada a todos”.