Por: diario | 22/01/2018

O ano passado registrou o maior aumento no número de bilionários da história, um novo bilionário a cada dois dias. Esse aumento teria sido suficiente para acabar mais de sete vezes com a pobreza extrema global.

É o que afirma o relatório elaborado pela ONG britânica Oxfam, “Recompensem o trabalho, não a riqueza” . O relatório ainda divulgou que no Brasil, 5 bilionários concentram patrimônio equivalente à renda da metade mais pobre da população brasileira.

Cerca de 7 milhões de pessoas que compõem o grupo dos 1% mais ricos do mundo ficaram com 82% de toda riqueza global gerada em 2017. Divulgado nessa segunda-feira (22) segundo o relatório, disponível na íntegra em inglês, a metade mais pobre da população mundial não obteve nada do que foi gerado em 2017. Esse grupo reúne nada menos de 3,7 bilhões de pessoas.

Atualmente há 2.043 bilionários no mundo. A concentração de riqueza também reflete a disparidade de gênero, pois a cada 10 bilionários 9 são homens.

SUPER-RICOS BRASILEIROS

No Brasil, 5 bilionários concentram patrimônio equivalente à renda da metade mais pobre da população do Brasil. A lista é a seguinte:

  1. Jorge Paulo Lemann, 77 anos (3G Capital)
  2. Joseph Safra, 78 anos (Banco Safra)
  3. Marcel Herrmann Telles, 67 anos (3G Capital)
  4. Carlos Alberto Sicupira, 69 anos (3G Capital)
  5. Eduardo Saverin, 35 anos (Facebook)

O patrimônio dos bilionários brasileiros alcançou R$ 549 bilhões no ano passado, 1 crescimento de 13% em relação a 2016, os 50% mais pobres tiveram a sua fatia na renda nacional reduzida de 2,7% para 2%. De acordo com o relatório, 1 brasileiro que ganha 1 salário mínimo (R$ 954) precisaria trabalhar 19 anos para ganhar o mesmo que recebe em 1 mês uma pessoa enquadrada entre o 0,1% mais rico.

PARAÍSOS FISCAIS

Dos 5 bilionários brasileiros listados, 4 foram citados na série de reportagens investigativas “Paradise Papers”. Segundo a reportagem do Poder360, mostra os vínculos de Sicupira, Telles, Safra e Lemann com offshores registradas em paraísos fiscais. A maioria das companhias atua como subsidiária das matrizes instaladas no Brasil. Para pagar menos impostos, as empresas mantêm no exterior parte do dinheiro obtido com as atividades.

SOLUÇÕES

A ONG aposta na geração de empregos decentes como mecanismos de diminuição das desigualdades. “O que o relatório aponta é que está acontecendo um movimento contrário, inclusive com vários países regredindo em proteção trabalhista”, afirmou Rafael Georges, coordenador de campanhas da entidade.

Segundo a organização, a maioria das riquezas acumuladas se deve a heranças, monopólios ou relações clientelistas com o governo. O relatório pede que os ricos paguem uma “cota justa” de impostos e tributos e que sejam aumentados os gastos públicos com educação e saúde.