Por: diario | 4 semanas atrás

Técnicos do Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (Lacen), QMC Saneamento – Laboratório de Análises e da Secretaria de Estado da Defesa Civil estiveram nas barragens Sul, em Ituporanga, e Oeste, em Taió, na última sexta-feira (17), onde realizaram coleta de amostras de água para análise. Além disso, conferiram se havia mau cheiro exalando do espaço do reservatório de água. Eles foram acompanhados por agentes de Defesa Civil de Rio do Sul e Ituporanga.

Em Ituporanga, de acordo com o relatório preliminar, o índice de oxigênio dissolvido, como o PH da água presente no reservatório da barragem, foi considerado normal, portanto, acima de qualquer limite crítico. Conforme os registros efetuados, não havia mau cheiro ou a presença de peixes mortos. A mesma situação foi constatada em Taió, com níveis do PH e oxigênio dentro da normalidade, em boas condições.
O secretário de Estado da Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, explica que até o fim desta semana deverá receber o relatório completo da análise da água. “Existem alguns testes mais específicos que precisam ser realizados em laboratório, porém, assim que concluídos, os resultados serão encaminhados para a Defesa Civil”, explica.

Os testes têm como objetivo verificar a existência de substâncias químicas como amônia, presente em agrotóxicos utilizados para controle de pragas nas lavouras e também no descarte de material oriundo de criações, além de metais pesados. “Esse mau cheiro que algumas pessoas alegam que está ocorrendo tem outra origem e não a operação do reservatório”, garante Moratelli. “Tanto que não tivemos esse problema na barragem de Taió”, complementa.

A ocorrência de mau cheiro e de mortalidade de peixes foi levantada pelo vereador Marcelo Machado (PP), em sessão ordinária realizada na Câmara de Vereadores de Ituporanga. Inclusive, o vereador fez a indicação para a realização de uma Audiência Pública para explicar os motivos do fechamento de comportas em períodos de falta de chuvas.

Em entrevista realizada anteriormente, o vereador afirmou que pôde constatar o mau cheiro e a mortalidade de peixes em uma visita que realizou à Barragem Sul na semana passada. “A 500 metros do lago já dava para sentir o cheiro ruim. É uma coisa absurda que está acontecendo”, explicou o vereador à época.

O que alega a Secretaria da Defesa Civil

A Secretaria de Estado da Defesa Civil iniciou a operação das comportas das barragens de Ituporanga e Taió, tendo a preocupação de manter o nível dos rios Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste dentro da cota de normalidade. De acordo com a análise climatológica e os índices pluviométricos, entre junho e setembro, a região do Vale do Itajaí registrou déficit de precipitação de chuvas, com volumes totais abaixo das médias históricas. Em outubro registrou-se chuvas mais regulares e melhor distribuídas, porém, os acumulados mantiveram-se, ainda, abaixo da média.

Diante do cenário que se desenhava, ainda em setembro de 2017, com a possibilidade de ocorrência do fenômeno La Niña e previsões mais críticas a partir de dezembro de 2017, a Secretaria de Estado da Defesa Civil buscou manter os níveis dos rios fora da cota de estiagem, porém no mínimo possível para não prejudicar o abastecimento da população.

Em Ituporanga, por exemplo, o trabalho ajudou a manter a captação de água para a região. Conforme o bioquímico da Companhia Catarinense de Água e Saneamento (Casan), Tiago Meurer Cunha, a operação manteve a quantidade de água no limite normal do rio. “Não tivemos problema com a falta de água para o abastecimento para a população”, diz.

A Secretaria acompanha diariamente a situação hidrológica de toda a região e atuará de forma a atender, dentro do possível, a todos os segmentos da sociedade, dispensando especial atenção para as necessidades humanas.

Utilidades das barragens

Visando atuar preventivamente no tocante ao risco de estiagem, a Defesa Civil vem operando as Barragens de Taió e de Ituporanga, porém mantendo a regulação de suas vazões. Moratelli explica que as barragens podem e devem ser utilizadas em diversas situações, sendo os principais: contenção de cheias e reservação de água (para fins de abastecimento).

Previsão para os próximos dias

A previsão é de chuva abaixo da média climatológica para Santa Catarina, no trimestre novembro, dezembro, janeiro. No entanto, novembro deve seguir o padrão de chuva frequente, observado em outubro, com totais próximos à média histórica. Em dezembro e janeiro a chuva começa a ocorrer de forma mais isolada, associada à convecção, com valores abaixo da média climatológica.

Rafael Beling