Por: diario | 1 mês atrás

Celebrado anualmente no dia 25 de maio, o Dia da Costureira faz lembrar que muitas mulheres que desempenham a função podem ser consideradas verdadeiras artistas. De acordo com a Associação Brasileira de Vestuário (Abravest), o trabalho das costureiras brasileiras movimenta em média R$ 4,5 bilhões por ano e no Alto Vale elas também impulsionam a economia já que de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nas indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Rio do Sul e Região (Sititev), o setor emprega cerca de 10 mil pessoas, que transformam tecidos em roupas e peças dos mais variados segmentos.

Dos mais jovens aos mais velhos, a profissão não tem idade e por isso vem crescendo tanto. Para quem pensa que ser uma costureira ou costureiro, é tarefa fácil, se engana. O trabalho minucioso e delicado, precisa também de cuidado, atenção e principalmente amor, para deixar o produto final perfeito e satisfazer os clientes mais exigentes.
A costureira Maria Noemi Oliveira da Silva, de 69 anos, é uma dessas profissionais e conta que se apaixonou pela costura vendo o trabalho amador de sua mãe, que fazia algumas peças para a família. “Eu tinha uns oito anos e minha mãe tinha uma máquina de costura antiga, mas eu não alcançava e mexia nos pedais e quebrava todas as agulhas dela, e ela ficava muito brava e pedia para mim não mexer. Com 14 anos eu fiz um curso no Instituto Radiotécnico Monitor por correspondência, e meu pai pagou 10 meses de curso”, lembra.

Uma das máquinas da costureira ela lembra que já deve ter 20 e outra 25 anos. “Comecei com uma máquina bem simples, na época e dali fui trabalhar no ramo da costura em uma empresa onde tinha as máquinas industriais. As máquinas de costura industrial foram me chamando atenção e depois fui comprando as minhas e hoje meu trabalho é esse e me faz muito feliz”, contou.

Para ela a profissão representa sobretudo a gratidão em poder ver os dois filhos bem no mercado de trabalho. “A costura para mim representa os meus filhos formados com o meu próprio esforço, um enfermeiro e o outro arquiteto. Com a atividade de costureira eu consegui formar os dois, pagando tudo. Eles são muito gratos a isso e sempre me dizem que devem isso a mim, e isso para mim é gratificante. Muitas vezes eu fui dormir uma hora da manhã para acordar as seis, mas graças a Deus eu consegui vencer”, completou.

Ao falar sobre os seus clientes ela revela que a aprovação deles também é sua realização pessoal . “Eu me sinto mais feliz do que a cliente. É uma satisfação escutar ela falando que era bem assim que ela imaginava e prontamente eu respondo, que bom que você gostou, eu fico feliz”, pontua.

As mãos que movem a economia através da costura são muitas e o que chama a atenção é que a maioria das histórias iniciaram com o incentivo das mães. Em Agronômica, a jovem Tamires Kummrow se espelhou na mãe e desde pequena cresceu em meio as agulhas, fios e máquinas e há 16 anos no mercado se diz apaixonada pelo que faz. “Minha falecida mãe tinha uma máquina de costura de pedalar, desde pequena via ela costurando roupas e cortinas. Ela tinha um caderno de moldes, recortava as peças de acordo e aprendi primeiro nas roupas para barbies e depois me aventurei em blusinhas. Meu primeiro emprego de carteira assinada foi de revisora. Depois a paixão pela confecção só aumentou, me especializei, me formei na área, e hoje com nosso atelier a paixão pela costura ainda continua viva e forte”, ressalta.

Ela lembrou ainda a importância econômica que a atividade representa em toda a região do Alto Vale. “Economicamente falando, a cidade de Rio do Sul, era conhecida como a Capital do Jeans, claro que há malharias também de modinha e tecido plano. E o fator da região ser conhecida assim, consequentemente gera empregabilidade. As rendas aumentam devido ao número de vagas oferecidas, e todo esse processo de fabricação depende das nossas costureiras. As que trabalham na empresa internamente e também as que trabalham em casa. Muitas dessas profissionais, assim como eu, fazem da costura o seu modo de viver. E falando especificamente por nós que também vivemos da costura industrializada, o mercado tende a inovar a cada ano, gerando cada vez mais renda e empregos na região”, disse.

Hoje ela empreendeu e é dona do próprio negócio. A qualidade do seu trabalho e a determinação fez Tamires ficar conhecida em todo o estado pela marca de biquínis desenvolvida e produzida por ela mesma, que garante estar realizada profissionalmente e fala sobre o que a profissão representa em sua vida. “Representa o pão de cada dia, representa crescimento profissional, e acima de tudo aprendizado. Você coletar um pedaço de tecido e transformar o mesmo numa linda peça é algo satisfatório demais. Você participa da evolução social também, afinal a linha do vestuário é um segmento que cresce a cada ano”, lembrou.

 

Tatiana Hoeltgebaum