Por: diario | 03/08/2017

A noite desta quarta-feira (02) foi histórica para os brasileiros. Independente do resultado da votação dos parlamentares, ver a possibilidade de um presidente da República em exercício ter a autorização da Câmara Federal para ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por corrupção passiva, como deseja a Procuradoria-Geral da União (PGU), foi um fato marcante. Quase um ano após a votação que cassou a então presidente Dilma Roussef, essa por crime da responsabilidade e desmandos fiscais, os deputados voltavam a ter nas mãos o futuro do chefe do Poder Executivo nacional.

As articulações para que Michel Temer se mantivesse no cargo iniciaram semanas atrás, e tomaram conta dos noticiários televisivos e da imprensa em geral, muitas vezes, pela desconfiança de que o mandatário maior do Brasil estivesse utilizando de verbas de emendas parlamentares para ‘viabilizar’ o apoio político de deputados. Porém, a força política de Temer já não se mostrava tão estável como quando assumiu a presidência.
Rachas internos no PMDB já demonstravam a fragilidade do momento do governo, ainda, o PSDB, que dispunha de diversos cargos de relevância, como ministérios, após diversas reuniões, estava dividido e alguns de seus representantes na Câmara Federal optaram pela aceitação da denúncia PGU contra Michel Temer. A sorte estava lançada.

Já no início da votação, aberta pelos deputados de Roraima, houve empurra-empurra no plenário da casa. A bancada catarinense foi a terceira a votar, e apresentou profundo equilíbrio de opinião expressados em votos. Foram nove deputados votando SIM (a favor do relatório que recomendava o arquivamento da denúncia) e sete deputados votando NÃO (pela rejeição do relatório que recomendava o arquivamento da denúncia).
Para que a denúncia prosseguisse, eram necessários 2/3 da Câmara Federal, o que representa 342 votos, que não foram alcançados pela oposição do governo Temer.

Airton Ramos