Collor anuncia que será candidato a presidente em 2018
Ex-presidente quer voltar a concorrer o Planalto; ele governou o País entre 1990 e 1992, ano em que sofreu impeachment


Foto: Ed Ferreira/Estadão - Senador da República Fernando Afonso Collor de Mello (PTC-AL)
Por: diario | 20/01/2018

“Por isso, eu digo a vocês que esse é um momento dos mais importantes da minha vida, como pessoa e como homem público, porque hoje minha decisão foi tomada. Sou, sim, pré-candidato à Presidência da República. Obrigado, e vamos à vitória”, disse o senador em discurso divulgado pelo site THN1.

Segundo Collor, existe um “vácuo” entre os possíveis concorrentes ao Planalto, com Lula na extrema esquerda e Jair Bolsonaro na extrema direita. “Tenho uma vantagem em relação a alguns candidatos porque já presidi o país. Meu partido todos conhecem, sabem o modo como eu penso e ajo para atingir os objetivos que a população deseja para a melhoria de sua qualidade de vida”, afirmou.

Após ganhar as eleições de 1989 em um segundo turno disputado contra Lula, Collor presidiu o País entre 1990 e 1992. Ele se tornou o primeiro presidente a sofrer impeachment, assumindo em seu lugar o vice, Itamar Franco.

Ao jornal O Globo, o presidente do partido, Daniel Tourinho afirmou que a ideia da candidatura partiu da legenda, e conta que Collor demorou alguns meses para aceitar a proposta. “O partido vem insistindo, desde agosto do ano passado, para ele se lançar candidato. Ele falou que ia pensar, e a conversa evoluiu. Ele está bastante animado. Acreditamos que vai ser uma candidatura exitosa”, avalia.

Tourinho diz que só vai começar a discutir questões como alianças partidárias e palanques estaduais em fevereiro, após o fim do recesso do Congresso. Ele não considera que a gestão de Collor na presidência possa ser fonte de desgaste na campanha, e diz que a ideia é ocupar o espaço do centro — como outros candidatos vêm tentando.

O PTC se originou do PRN, partido pelo qual Collor se elegeu presidente em 1989. Naquele ano, o adversário do alagoano no segundo turno foi o também ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também pretende ser candidato novamente neste ano.

Réu
Segundo o portal Infomoney, em agosto do ano passado, a segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou  denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Collor pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Com a decisão, Collor virou réu nas investigações da Operação Lava Jato.

A PGR acusou o parlamentar de receber R$ 29 milhões em propina pela suposta influência política na BR Distribuidora, empresa subsidiária da Petrobras. Segundo o então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, além de Collor, estariam envolvidos no suposto esquema a mulher do senador, Caroline Collor, e mais seis acusados que atuavam como “operadores particulares” e “testas de ferro” no recebimento dos valores.

Para o advogado Juarez Tavares, não houve ato de ofício que possa comprovar contrapartida por parte do senador para receber a suposta propina. “Não há prova efetiva de que o senador Collor de Mello tivesse recebido dinheiro destas entidades às quais estaria vinculado, ou seja, a BR Distribuidora, os postos de gasolina ou as empresas privadas às quais fazia contrato. Não há uma prova de que o ingresso nas contas do senador advém dessas empresas ou de atos vinculados à realização desses contratos”, disse o advogado na época.

OCP Online

Jonathas Guerra