Por: diario | 09/08/2016

Sindréia Nunes

A Companhia de Habitação do Estado de Santa Catarina (Cohab) está ajuizando dívidas de moradores inadimplentes. Atualmente são 7.259 beneficiados no estado que receberam a casa própria, mas não quitaram todas as parcelas. No Alto Vale são 325 pessoas que estão devendo para a Cohab e o valor da dívida na região ultrapassa R$ 4.271.258,19 com juros e correção monetária.

A Cohab tem como objetivo melhorar as condições habitacionais da população catarinense através da construção e venda de imóveis a preços mais acessíveis. O problema se encontra, porém quando os beneficiados do programa não cumprem com o pagamento das parcelas, o que acaba gerando um déficit para a Companhia. Ao todo no estado, a dívida ultrapassa os R$ 60 milhões.

Com o ajuizamento das dívidas, que acontece desde 2013, e de acordo com a diretora presidente da Companhia, Alessandra Klettenberg o objetivo é de reaver os valores. Desta forma a Cohab pode voltar a destinar investimentos para a construção, ampliação e reforma de moradias para outras famílias de baixa renda de Santa Catarina. Além disso, a Cohab também precisa prestar contas ao Governo do Estado sobre onde esse valores foram aplicados.
Segundo ela a Companhia não tem o objetivo de retirar os moradores das residências, mas enquanto todas as parcelas não forem quitadas os imóveis ainda pertencem a Cohab. Alessandra diz que é a primeira vez que a Companhia entra na justiça para conseguir o pagamento das parcelas atrasadas e que agora a decisão cabe ao juiz que julgar o processo.

Desta forma Alessandra alerta que caso as parcelas realmente não sejam quitas existe sim o risco de perda do imóvel. “A decisão é do juiz e ele entende a mesma coisa que a gente, se a pessoa não tem interesse de fazer o pagamento dessa prestação que é um valor tão baixo, a gente vai verificar com o município a lista de demanda e colocar uma outra pessoa naquela casa”, acrescenta.

Nos últimos cinco anos duas campanhas de renegociações das dívidas já foram feitas para tentar reaver os valores. Antes das ações Programa Moradia em Dia e A Casa é Sua o número de devedores era próximo de 12 mil, hoje são 7,2 mil. Nestas campanhas, foram concedidos descontos de em média de 70% do saldo devedor, além de permitido o parcelamento da dívida mediante uma entrada como pagamento.

No momento não existe nenhum programa de desconto para o pagamento das parcelas em atraso e agora não cabe mais a Cohab decidir a forma de quitação dos valores ajuizados, mas ela adintou que a companhia estuda algumas possibilidades. “Está sendo elaborado um estudo, que vai passar pelos tramites legais aqui dentro, um novo programa de recuperação de crédito dando uma segunda oportunidade para essas pessoas de fazerem o pagamento do débito em atraso”, falou.

De acordo com a diretora a dívida é histórica e há casos de mutuários em atraso há 20 anos. “Nós acreditamos que o principal motivo do não pagamento é aquela coisa de que por ser Cohab não é necessário fazer o pagamento da casa. Acham que a Cohab não vai tirar as pessoas do imóvel, quando na verdade o objetivo da Cohab é de dar dignidade, solucionar o déficit habitacional. Mas quando a pessoa não paga a prestação ela está prejudicando, não só a Companhia, mas também aqueles cidadãos que precisam de uma casa”, comenta.

O valor da parcela dos imóveis geralmente custa 10% do salário mínimo. É o caso da prestação paga por Roberto Schmidt, que mora em um dos loteamentos da Cohab em Ituporanga, cidade do Alto Vale com maior número de inadimplentes. Atualmente ele está desempregado, mas afirma que paga em dia as parcelas do imóvel que são de R$ 81,00.
Ele conta que fez o parcelamento da casa em 20 anos e que agora restam somente dois para terminar as prestações. De acordo com ele, no bairro onde vive mais de 80% dos vizinhos estão com o financiamento em atraso. Roberto afirma que um dos fatores que prejudicam o pagamento é que o boleto agora precisa ser retirado pela internet. “A internet hoje é complicado para a gente, nós não temos computador em casa, mais é celular, e quem não mexe muito nisso fica mais complicado”.

Outra questão apontada por Roberto é a dificuldade para encontrar um emprego. “Alguns já tem anos que não pagam, mas agora piorou mesmo, acho que é a falta de emprego aqui na cidade. Eu mesmo estou desempregado”, relata.

Ele afirma que mora há mais de 15 anos na casa e que infelizmente os beneficiários da Cohab acabam sofrendo com o preconceito. “O bairro é meio mal falando, por algumas pessoas erradas que tem aqui, todo lugar tem, mas aqui no bairro Nossa Senhora de Fátima está complicado. Tem uma rejeição para vender [o imóvel], o valor já é mais baixo, esse é o preconceito que a gente sofre aqui”, conta.

A diretora explica que os programas habitacionais da Cohab tem o objetivo de suprir a demanda habitacional das cidades de Santa Catarina. A Cohab trabalha alinhada com o município que tem uma lista de pessoas de baixa renda. A partir desta relação Companhia faz a análise dos perfis e financia os imóveis. Atualmente não há nenhum programa habitacional em aberto, mas ao todo já foram entregues mais de 65 mil residências em todo o estado.
Alessandra lembra que os inadimplentes que ainda não foram ajuizados podem procurar a Gerência de Contratação, Análise e Recuperação de Crédito da Cohab pelo telefone (48) 3664-7100 ou e-mail [email protected], para fazer uma simulação de crédito e tentar resolver o problema.