Por: diario | 18/07/2017

Começou a valer na segunda-feira (17) o aumento da passagem de ônibus em Rio do Sul. O acréscimo foi de R$ 0,30 no bilhete e a mudança não agradou os usuários do transporte coletivo. Um movimento está fazendo um abaixo-assinado para tentar reverter o aumento da passagem. De maneira geral, a situação pode motivar a população a questionar se é vantajoso continuar usando o transporte público ou se é melhor investir em um veículo próprio.

Com a ajuda de um economista e um especialista em mobilidade urbana, o Diário do Alto Vale fez os cálculos. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do litro da gasolina em Santa Catarina é de R$ 2,99. Todavia, na maioria dos postos de gasolina em Rio do Sul o preço está em R$ 3,18. Um carro popular, com motor 1.0, faz em média 12 quilômetros com um litro de combustível. Já uma motocicleta, também popular, pode fazer em média 30 quilômetros com um litro. Tendo em vista esses valores, o carro iria percorrer a distância de um pouco mais de 15 quilômetros com o preço da passagem de ônibus revertido em combustível.

Já no caso da moto, a comparação é ainda mais vantajosa, pois se um carro faz em média o trajeto de ida e volta do Terminal Central até a empresa Pamplona, em Rio do Sul, uma moto, com o mesmo valor da passagem revertido em combustível, faria o percurso (ida e volta) duas vezes e ainda sobraria gasolina. Segundo o cálculo, a motocicleta rodaria 37,5 quilômetros. A equação, porém, não leva em conta os aspectos de manutenção dos veículos e os de trafegabilidade.

Para o especialista em Mobilidade Urbana e professor de Urbanismo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Elson Manoel Pereira, a questão vai além da econômica. “Há os aspectos econômicos, mas há também os aspectos culturais. Há uma cultura do automóvel no Brasil muito forte, porque por exemplo, quando você vai de carro você vai procurar um local para estacionar muito próximo do seu destino. Com o ônibus talvez você não tenha esse local muito próximo, então você precisa caminhar muito mais e isso não é ruim, mas no Brasil isso parece ruim por vários aspectos (segurança, conforto, saúde) e até o Poder Público tem culpa nisso”, observou o especialista.

Em Rio do Sul, de acordo com o último diagnóstico do Plano de Mobilidade Urbana (PMU), existe um automóvel para quase duas pessoas. “A taxa de motorização do município é de 1,91, ou seja, existe um automóvel para cada 1,91 habitantes, enquanto que a média nacional é de 1 automóvel para cada 4 habitantes”, mostra o relatório. Parte desta condição pode ser motivada também porque o transporte coletivo é considerado “inexistente” em locais periféricos aos fins de semana e existe a falta de interligação do bilhete único, poucos horários e veículos em mau estado de conservação.

O problema é que com mais carros nas ruas piora a trafegabilidade e aumentam os congestionamentos. Para o especialista, os ônibus devem ser mais baratos e as condições para os carros devem ser menos atrativas. “O ônibus tem que ser mais barato e mais rápido. Então é preciso investir na área exclusiva para ônibus, taxar fortemente o estacionamento, para que as pessoas, na hora de fazer o cálculo para ir ao Centro da cidade, também coloquem o valor do estacionamento em jogo”, comentou Pereira, ainda ressaltando que “nenhum lugar do mundo conseguiu resolver o problema da mobilidade urbana sem pensar no transporte coletivo e dificultando o acesso do automóvel”. Mesmo assim, a estimativa é que em Rio do Sul a situação só piore. Segundo o PMU, em 2035 o município deve ter 159.510 veículos, atualmente a frota já é de 47.806.

Suellen Venturini