Por: diario | 25/05/2017

Em meio a escândalos nacionais, a transparência na política está cada vez mais valorizada. Os eleitores e população, como um todo, estão mais críticos e exigem respostas a casos que antes poderiam até passar despercebidos. Em Rio do Sul, um documento datado de junho de 2016 está causando discórdia. Se trata da ata de uma reunião da diretoria do Sindicato de Trabalhadores das Indústrias da Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Rio do Sul (Sittev), onde a então candidata a vereadora Zeli da Silva pedia o afastamento das funções de presidente do sindicato para fazer a campanha de reeleição.

A desincompatibilização foi aceita e, segundo consta no documento, foi aprovada também que a presidente afastada continuasse recebendo o salário da função no sindicato, o que tem causado polêmica. A ata deixa claro que, na reunião, “a Diretora Margarida Vignola lembrou que no ano de dois mil e doze, também durante o período de afastamento a senhora Zeli da Silva recebeu integralmente seus salários, situação esta que deve ser repetida neste ano. Maria Aparecida Pereira sugeriu então que o Sindicato arcasse integralmente com os salários”.

Apesar de ser entregue no ano passado ao Cartório Regional Eleitoral, o documento está circulando nas redes sociais e tem gerado polêmica. O assunto inclusive foi levantando em sessões da Câmara de Vereadores de Rio do Sul. Na segunda-feira (22) Marcos Sávio Zanella (PSDB) comentou na tribuna que “esse caso que veio à tona com a vereadora Zeli é uma evidência que as corporações precisam se desvincular”.

Agora, após receber os salários mesmo afastada da função de presidente nas campanhas de 2012 e 2016 a moral e ética da vereadora estão sendo questionadas. A reportagem do Jornal Diário do Alto Vale procurou a vereadora Zeli para dialogar sobre o assunto, mas, via Assessoria de Imprensa, a vereadora respondeu que nada tem a comentar. De acordo com o assessor, a vereadora decidiu não dar entrevista porque o documento está girando nas redes sociais de forma anônima, sob uma ata já protocolada e entregue ao Tribunal Regional Eleitoral.

Em entrevista ao jornal, a chefe do Cartório Eleitoral, Cleidiane Sevegnini, explicou que a investigação sobre a questão salarial agora compete a justiça comum. “Todo mundo que exerce uma função pública, quando chega um período que é candidato tem que se afastar [da função]. Esse é o documento que que a gente exige. Se ela apresentou o documento na época, muito bem, ela concorre normalmente. Se ela estava recebendo, se não estava, essa é uma questão de moralidade ou de improbidade administrativa que foge a nossa competência”, informou Cleidiane. No site do Ministério Público de Santa Catarina, nenhum processo sobre o caso consta no nome de Zeli.

Suellen Venturini


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