Por: diario | 10/10/2018

Seja qual for o resultado do segundo turno da eleição presidencial das eleições 2018, em 28 de outubro, é certo que, ao menos pelos próximos quatro anos, o mundo político não será mais o mesmo no Brasil. As votações à Câmara dos Deputados e ao Senado, varreram boa parte dos tradicionalíssimos caciques partidários que há décadas dominam o cenário nacional e, na teoria, equilibram mais forças no Congresso. Os efeitos na prática ainda precisam ser medidos e acompanhados, mas o veredicto das urnas em 2018 indica mudanças.

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Em Santa Catarina, os dois maiores exemplos vêm da corrida ao Senado, com o ex-governador Raimundo Colombo (PSD) e o senador Paulo Bauer (PSDB) sem conquistar a eleição e a reeleição, respectivamente. Pelo país, a lista cresce e alcança a direita e a esquerda, dos tucanos Beto Richa e Cássio Cunha Lima aos petistas Eduardo Suplicy e Lindbergh Farias. Os presidenciáveis Geraldo Alckmin (PSDB) e Mariana Silva (Rede) encolheram.

O professor do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC, Tiago Borges avalia que houve queda acentuada, especialmente das lideranças ligadas a escândalos de corrupção, como a Lava-Jato. Ele pontua, porém, que ainda é cedo para prever se o comportamento será padrão.

“O eleitor sinalizou um tipo de reprovação da classe política que estava lá. Não foram todos, não foi uma renovação completa e nem é desejável que seja, porque é importante que o Congresso tenha figuras experientes. Mas teve uma sinalização de transformação da elite política. Vamos ver se ela será durável”, avalia.

O PSL, partido do presidenciável Jair Bolsonaro e pequeno em estrutura, se tornou a segunda maior força da Câmara e ganhou força no Senado. MDB, PT e PSDB, este último em maior grau, perderam espaços importantes.

Para o professor do Departamento de História da UFSC, Waldir José Rampinelli, essa escolha por nomes fora do meio é resposta à velha maneira de fazer política dos caciques, aparecendo de maneira acentuada quando há crise econômica. Mais do que isso, ele atribui a renovação a uma busca pelo antissistema como um todo.

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“Penso que é um esgotamento do sistema de democracia que temos, capitalista, burguesa, representativa. Olhada de baixo, essa democracia é vista como algo que não nos representa mais. Esse processo [de queda de figuras tradicionais] pode ser cíclico ou não, depende do que vai acontecer nos próximos anos. Mas o voto é consequência. Muda-se um país quando as categorias, o povo está organizado, seja em sindicato, partido, associação de bairro, time de futebol. Porque, aí, o povo passa a cobrar e exigir o que quer dos eleitos”.

Informações DC