Por: diario | 04/08/2016

Arthur Hoffmann

Estando presente em todas as edições dos Jogos Olímpicos o Atletismo é mais uma modalidade tradicional que traz muita técnica, força física, velocidade e emoção para o Rio 2016. O conjunto das modalidades que é dividido em corridas, lançamentos e saltos promete mais um ano de muitas disputas e nesta edição, antes mesmo de começar as competições, o Brasil já entrou para a história ao credenciar o maior número de atletas para uma Olimpíada. No total, 66 nomes, divididos em 36 homens e 30 mulheres vão competir no Rio de Janeiro. Mesmo com a maior delegação de sua história na competição, dois nomes de referência da modalidade no Alto Vale ouvidos pelo DAV acreditam em um bom desempenho dos brasileiros, mas sem surpresas durante a competição, já que todo favoritismo de medalha sobre o atletismo nacional recai sobre Fabiana Murer no salto com vara, que tem a melhor marca da temporada na categoria.

Atleta, treinador e com extenso currículo nacional, Luis Henrique Schneider, da Associação Belos Panoramas de Ibirama relata que muitas delegações vem forte para essas Olimpíadas. Em sua opinião na classificação geral de todas as modalidades, quem irá ficar com o título será os Estados Unidos. “Acredito que o Brasil pode ficar depois da décima colocação porque alguns países são especialistas em provas de fundo, outros são melhores lançadores e isso acaba compensando. Esse ano como a Rússia não vai estar, acho que os Estados Unidos levam. Em segundo vem a Jamaica indo muito bem nas provas de pistas dos velocistas, em seguida Canadá, Inglaterra, Grã-Bretanha, China, Itália, França e Alemanha muito forte em sequência”, comentou.

Em relação ao patamar nacional, Schneider lembrou que nos Jogos Olímpicos de 1996 o Brasil havia levado sua maior delegação no atletismo, por isso, esses 66 convocados podem fazer história. Sobre resultados positivos com chances de pódio, o atleta acredita que o Brasil pode conquistar quatro medalhas. “No salto com vara temos a Fabiana Murer, mesmo com a pressão em cima dela sendo bem grande, já que a Isinbayeva também não vem competir porque a Rússia está punida por doping. Já nos arremessos eu creio que temos uma chance com Wagner Domingos que está com a segunda melhor marca do ano no mundo, mas isso é muito do dia e do próprio atleta, porque os índices nos arremessos são muito parecidos”, falou.

Luis destacou ainda dois fatores que podem influenciar nas disputas: comeptir em casa e o clima quente do Rio de Janeiro. Ele explicou que para os atletas que vem de fora jogar contra a torcida é desfavorável. “A torcida competindo a seu favor é bom, o problema e o lado negativo é a pressão sobre o atleta. Em relação ao clima, tem atletas que já estão há mais de um mês fazendo adaptação para se prepararem para os Jogos então esse fator também é importante, porque na Europa em muitos países o clima é mais frio”, explicou.

Jeberton Fermino, técnico da Associação do Clube de Atletismo de Rio do Sul (Acarisul) que já acompanhou diversas delegações brasileiras em competições internacionais comentou que além de Fabiana Murer no salto com vara, quem também tem chances de conquistar medalha é Augusto Dutra na mesma modalidade, já que ele vem treinando com o ex-técnico da atleta russa Isinbayeva. “Nos arremessos e lançamentos creio que será bem difícil uma medalha, mas acredito que também poderemos ir bem no revezamento feminino que é onde também temos chances”, falou.

O treinador explicou que se comparado a outras delegações internacionais o atletismo brasileiro ainda está muito atrasado e isso será refletido nos Jogos, comentando também que neste tipo de competição os atletas mudam sua forma de participar. “Os Jogos Olímpicos são diferentes de Campeonato Mundial ou provas nacionais, porque as marcas de algumas provas são bem menores que geralmente eles fazem, porque o objetivo dos atletas não são recordes e melhores marcas, mas sim as medalhas. No lançamento do disco teve medalhista olímpico com arremesso de 68 metros e no ranking mundial a marca era de 74 metros, então às vezes o conceito da competição acaba mudando um pouco”, comentou.

Programação e treinamentos

No total são 47 eventos programados no atletismo, sendo que as disputas iniciam no próximo dia 12, com provas no lançamento de disco masculino, heptatlo masculino e feminino, arremesso de peso, 800 metros masculino, 100 metros feminino, marcha atlética, salto em distância e 1.500 metros feminino. O encerramento acontece com a disputa final da maratona masculina, programada para o dia 21.
Ontem ocorreram treinamentos na pista da Comissão Desportiva da Aeronáutica (CDA), no Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. No local, a Seleção Olímpica do Atletismo brasileiro, que faz os pré-games das disputas. Além dos treinamentos, atletas e treinadores conversaram com jornalistas credenciados para os Jogos Olímpicos do Rio 2016.

Marilson dos Santos (maratona) e sua mulher Juliana Santos (3.000 metros com obstáculos) estavam entre os atletas que treinaram pela manhã. Da mesma forma que as velocistas que compõem o revezamento 4×100 metros: Franciela Krasucki, Bruna Farias, Rosângela Santos e Ana Claudia Lemos. No final de julho, os convocados para as Olimpíadas também começaram sua preparação para as disputas, como foi o caso dos arremessadores Darlan Romani e Geisa Arcanjo, os corredores Altobeli Silva (3.000 metros com obstáculos) e Flávia Maria de Lima (800 metros) e o marchador Caio Bonfim (20km e 50km).

Há um cronograma de chegada de atletas até o início do torneio de atletismo, marcado para 12 de agosto, no Estádio Olímpico do Engenhão, quando a qualificação masculina do lançamento do disco abre a competição, às 9h30. Os treinos na CDA são fechados e apenas atletas e técnicos têm acesso, por conta das medidas de segurança naturais em instalações militares.

Fabiana confirma problema

A menos de um mês da disputa dos Jogos Olímpicos, Fabiana Murer sofreu com dores e descobriu que estava com hérnia de disco. A própria atleta revelou o problema em uma rede social nesta semana. A atleta de 35 anos ainda apontou que seu médico avisou que ela terá condições de competir nos Jogos Olímpicos. Murer possui duas medalhas de prata e uma de ouro em Jogos Pan-Americanos no salto com vara, assim como uma de prata e uma de ouro em Mundiais e um bronze e um ouro em Mundiais Indoor. Ela é uma das favoritas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.