Por: diario | 04/01/2018

A China começou 2018 com novas exigências para importação de soja. O país asiático restringiu a qualidade dos produtos que chegam aos portos. Até então era aceito até 2% de “matéria estranha”, como outras sementes e restos de galhos, mas agora, esse percentual foi diminuído para 1% para facilitar o desembarque do produto e aumentar a qualidade da soja.

Segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Emprapa), o Brasil é segundo maior produtor mundial de soja, perdendo apenas para o Estados Unidos. Em teor de óleo e proteína, o Brasil possui o grão com maior qualidade que o líder da lista.
Em entrevista televisiva, com a participação do analista do mercado Agrinvest Commodities, João Schaffer, foi relatado que essa restrição global trará uma possibilidade de ganho de mercado para os produtores brasileiros.

Essa mudança vai trazer benefícios de venda e vai impactar imediatamente os EUA, por perderem para o Brasil quanto à qualidade. Isso poderá gerar oportunidade com demandas da agricultura brasileira, pois nosso país está com a soja indo para exportação com apenas 0,67% de matéria estranha, segundo o controle de saída dos portos.

De acordo com João, essa exigência asiática, pode gerar até dez centavos a mais de custo para os EUA, e os brasileiros podem ganhar uma vantagem adicional de 22 centavos de dólar por saco.

Soja no Estado

A soja ganha cada vez mais espaço em Santa Catarina. Em média a área destinada ao grão aumenta 6% todos os anos e já chegou a 706 mil hectares na safra 2017/18. A produção também deve ser ampliada e chegar a 2,5 milhões de toneladas. Hoje no estado, as maiores áreas destinadas ao plantio de soja estão em Campos Novos, Abelardo Luz e Mafra. Os dados são do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).

Em conversa com alguns agricultores enquadrados em “Pequeno Produtor Rural”, de Atalanta, a soja vêm substituindo o milho. Apesar das maiores produções do estado não serem do Alto Vale, a nova cultura toma espaço. “Entre os motivos que fazem nós agricultores abandonarmos o cultivo de milho, estão os altos custos de produção e o preço abaixo do esperado na última safra, fatores que tornaram a soja mais atrativa. A gente também faz nossas contas e optamos pelo que é mais rentável”, explica a agricultora Osmarina Gorete Avi.

Previsão para 2018

O 2º prognóstico divulgado pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), estima que a produção para 2018 totalizará 108,1 milhões de toneladas, redução de 5,9% em relação à safra de 2017. A área a ser plantada do grão é de 34,1 milhões de hectares, aumento de 0,5%. O rendimento médio estimado é de 3.170 kg/ha, retração de 6,6%. Considerando o recorde histórico de produção de soja em 2017, a base de comparação é relativamente elevada.

Em relação ao 1º prognóstico, divulgado no mês anterior, há um aumento de 0,4% na produção, refletindo, principalmente, os aumentos na Bahia (12,6%) e Mato Grosso do Sul (4,3%). Alguns estados ajustaram negativamente suas estimativas, como Rondônia (-8,9%) e Minas Gerais (-6,1%).

Metodologia de Pesquisa

O LSPA, é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas, com informações municipais ou regionais consolidadas, em nível nacional pela Comissão Especial de Planejamento Controle e Avaliação das Estatísticas Agropecuárias (CEPAGRO), constituída por representantes do IBGE e do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento (MAPA).

Os levantamentos foram realizados em colaboração com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Elisiane Maciel