Por: diario | 23/11/2016

O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, voltou a falar nesta semana da expectativa do país atingir a meta de inflação abaixo de 4,5% ao ano até 2018. Em seminário sobre a Reavaliação do Risco Brasil, realizado pela Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro, ele também defendeu as reformas fiscal e previdenciária como indispensáveis para o país sair da crise.

Segundo Goldfajn, o controle da inflação – baixa e estável – é indispensável para a retomada da confiança do consumidor, pois, de acordo com ele, aumentará o consumo e, consequentemente, também aumentará os investimentos no país. “Por essa razão, a condução da política monetária visando atingir a meta de 4,5% para a inflação no horizonte relevante, que abrange os anos de 2017 e 2018 é importante. Atuando dessa forma, estamos contribuindo para a redução do risco Brasil e para a recuperação da atividade econômica”, disse.

Ilan Goldfajn não compareceu pessoalmente ao seminário, realizado na sede da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan). Ele gravou um discurso em vídeo, que foi exibido durante o evento. Em sua fala, o presidente do Banco Central destacou que a confiança na economia não deve ser focada somente nos investidores, mas também no consumidor interno.

“Sem confiança, famílias ficam mais cautelosas em suas decisões de consumo e empresários adiam decisões de investimento. A demanda doméstica se deteriora, levando inevitavelmente à queda da atividade econômica, ao aumento do desemprego, e a pessimismo quanto ao futuro”, disse, enfatizando que “foi dessa maneira que o círculo vicioso entre confiança e atividade econômica se instalou no Brasil”.

Goldfajn defendeu ainda as reformas fiscal, que prevê o teto de crescimento para os gastos públicos, e previdenciária defendidas pelo governo. Ele afirmou estar confiante na aprovação delas como meio para o país sair da atual crise financeira em que se encontra. “São reformas necessárias para pôr em ordem as contas públicas e garantir mais à frente a reversão da tendência crescente da dívida pública em relação ao PIB [Produto Interno Bruto]”, disse.

Segundo Goldfjan, as duas propostas visam fortalecer as políticas que implicam estabilidade macroeconômica. Além disso, destacou a necessidade de esforços para garantir consistência entre as políticas fiscal, monetária e cambial. “O fortalecimento do tripé significa, em outras palavras, sustentabilidade das políticas e maior previsibilidade”, afirmou.
Reforma da Previdência

Presente no evento, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto de Almeida Junior, confirmou a expectativa de envio ao Congresso, ainda este ano, a PEC da reforma da Previdência. No começo de novembro, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, já havia adiantado que o texto seria apresentado até dezembro.

O secretário afirmou que neste ano o Brasil terá a segunda queda consecutiva do Produto Interno Bruto (PIB), o que, segundo ele, só aconteceu na história do país na década de 1930. Por isso, ele considera urgente a reforma previdenciária, que será ainda mais impactada por novo recuo do PIB. Monsueto adiantou que uma das principais medidas da reforma será o estabelecimento de idade mínima para aposentadoria, que deverá ser de 65 anos para os homens e 60 para as mulheres. “Não é normal as pessoas se aposentarem com 50 anos em nenhum lugar do mundo. O país não aguenta mais as pessoas se aposentarem tão jovens”, afirmou.

Ainda segundo o secretário, o texto da reforma previdenciária já está pronto. A parte mais difícil de sua defesa, segundo ele, será apresentá-lo à sociedade para que ele seja compreendido e aceito. “É importante mostrarmos primeiro o diagnóstico, quer dizer, mostrar para a sociedade como funciona o regime previdenciário no resto do mundo”.

Taxa de juros e câmbio

Representando o presidente do Banco Central, compareceu ao seminário o diretor de Política Econômica da instituição, Carlos Viana de Carvalho. Ao comentar as oscilações no mercado após as eleições presidenciais nos Estados Unidos, ele disse que o BC vai intervir sempre que necessário para minimizar os efeitos no mercado interno.

Carvalho reiterou ser cedo para fazer projeções, mas afirmou ser “razoável esperar que essa mudança [na presidência dos EUA] implique em um cenário mais desafiador, principalmente de taxas de juros mais altas e câmbio desvalorizado”.

Questionado sobre quais medidas o Banco Central pode tomar, Carvalho disse que é importante “não lutar contra o movimento primário que pode acontecer na taxa de câmbio em função desse choque”.