Por: diario | 11/09/2016

Julieti P. Largura

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) propôs novo reajuste salarial aos bancários nesta sexta-feira (9). Por não ser uma proposta condizente com o pedido feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a greve dos bancos deu sequência e chegou ao Alto Vale, que embora apenas cinco agências tenham fechado nesta sexta, o número deve ser ainda maior na segunda e na terça-feira, quando devem ser fechados também bancos privados.

A greve dos bancários já está acontecendo em todo o país desde a terça-feira (6), mas no Alto Vale agências pararam apenas nesta sexta-feira, depois de ser acordado em assembleia a paralisação na região. No primeiro dia foram apenas cinco unidades, sendo em Rio do Sul a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil na rua Coelho Neto, e agências do Banco do Brasil em Lontras, Vidal Ramos e Taió. “Se não tiver um acerto, segunda tem assembleia de novo e começam a fechar mais agências. Aí vamos fechar bancos privados que é preciso ir para frente e as pessoas vão sentir um pouco mais”, disse o presidente do Sindicato dos Bancários de Rio do Sul e Região, Mário Sérgio Visentainer.

De acordo com a proposta apresentada nesta sexta-feira ainda não chegou perto do pretendido e por isso a greve deve se estender. A proposta inicial feita na negociação da semana passada era de um aumento de 6,5% de reajuste mais um abono salarial de R$ 3 mil e passou para 7% de reajuste mais um abono de R$ 3,3 mil. Mas o abono não é aprovado pelos bancários assim como a porcentagem de reajuste que ficaria abaixo até da inflação do período. Os sindicatos trabalham para conseguir 9,57% referente a inflação mais 5% de aumento real, sem o abono salarial que entra uma única vez e tem desconto em folha.

“Estamos em um setor que está ganhando com a crise, os bancos ganham dinheiro, é diferente da indústria e do comércio que estão aí amargando essa crise. Então não tem porque não dar. E eles querem se aproveitar da situação, jogar essa coisa de desemprego, ameaçar a gente”, disse Visentainer.

Na segunda-feira (12) o Sindicato dos Bancários de Rio do Sul e Região se reúne novamente em assembleia para discutir e organizar os rumos da greve. “Nós sempre aguardamos uma orientação da Comissão pela aprovação ou rejeição da proposta feita pelos bancos. Quando a proposta é muito boa, acaba com a greve na hora, mas se não for e for rejeitada nós continuamos com a greve”, disse.

Visentainer comenta que neste ano duas mudanças marcam as negociações. A primeira é a antecedência da campanha dos bancários pelo reajuste, que geralmente acontece a partir do mês de setembro e neste ano foi antecipada para agosto em virtude das várias questões que envolvem o país como o processo de impeachment e as eleições. Outra mudança foi a proposta do abono salarial feita pelos bancos e que não há sinal para que seja mudada.

“Nós pedimos para que forçassem uma negociação mais cedo e mais rápida para tentar fazer isso sem greves, mas não deu certo, ficaram três dias, entre 28 e 30 de agosto, em mesa de negociações e chegaram em um consenso”, disse o presidente. No ano passado foram 23 dias de greve com apenas uma proposta inicial dos bancos de reajuste de 5,5% passando para 10% na segunda e última proposta.

População já sente

Otávio Cordeiro de Rio do Sul é office-boy em uma contabilidade e conta que nesta sexta-feira (9) seu maior serviço foi antecipar pagamentos em uma agência bancária que não estava paralisada. Ele conta que teve que ter paciência para conseguir realizar as tarefas. “Primeiro a fila. Você precisa saber que quando uma agência para a outra já aglomera daí tem que vir com bastante tempo. Depois você precisa organizar as coisas que podem ser feitas no caixa eletrônico, que aí fica mais fácil”, disse.

Angela Cristina de Sousa de Lontras diz que não sabia da greve, e que surpreendeu com as filas na cidade. “Fui de manhã na lotérica para pagar um carnê e vi uma fila enorme, pensei que era por causa do pagamento do pessoal que saiu ou porque algum jogo tinha acumulado. Então fui no banco que é do ladinho e vi o cartaz de greve. Fui para uma agência dos Correios que a fila estava menor, mesmo assim perdi 40 minutos na fila”, disse.

O presidente aconselha a população do Alto Vale para que se preparem para esse período de greve, que procurem as agências enquanto ainda estão abertas e programem pagamentos de contas em casas lotéricas e correspondentes bancários. “Sempre prestando atenção nos limites de pagamento e tentando uma negociação com os credores para dividir em mais boletos, caso precise”, ele ainda lembra das operações que podem ser feitas via internet.