Por: diario | 21/08/2016

Sindréia Nunes

O Sindicato dos Bancários de Rio do Sul e Região já está  se organizando para enviar aos banqueiros as reivindicações exigidas no novo contrato entre as classes. Uma primeira assembleia para discutir as necessidades dos trabalhadores e reuniões regionais já estão acontecendo para estimular os profissionais  a participarem das discussões.

A campanha salarial dos bancários ainda está no início e a assembleia que formaliza a ação em Rio do Sul aconteceu no dia 11 de agosto. De acordo com o presidente do sindicato, Mário Sérgio Visentainer, após o primeiro contato estão sendo realizadas reuniões regionais. A primeira aconteceu na última semana em Agrolândia. Já em Taió a reunião foi realizada nesta quinta-feira (18) e nos próximos dias acontecem os encontros em Ituporanga, Ibirama e Lontras. “Estamos mobilizando os bancários para a campanha salarial, discutindo o índice que foi aprovado este ano e outras questões da negociação”.

A pauta de reivindicações foi entregue aos banqueiros, através da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), no dia 9 de agosto. Na quarta-feira (17), o presidente diz que já houve em São Paulo uma reunião entre as classes para apresentar as comissões e criar o calendário de negociações. “Propostas de índice [aumento] de salário devem acontecer na primeira quinzena de setembro”, informa o presidente.

Mesmo assim ele revela que o reajuste do salário pedido deve ficar em 14,78% (9,78% de inflação mais 5% de ganho real). Além disso, deve ser exigido mais participação nos lucros e um reajuste maior no ticket alimentação e auxílio creche. “Não é só reajuste. Nessa época a gente briga também por melhores condições de trabalho e de vida”.

Visentainer explica que os bancários e banqueiros possuem um acordo coletivo nacional que padroniza os salários e direitos dos trabalhadores. Esse contrato tem vencimento sempre no final de agosto e precisa ser renovado anualmente. “A partir de setembro se começa a negociar um novo e é assinado no final de setembro ou outubro, depende do desenrolar da campanha”. Ele lembra ainda que a comissão escolhida para representar os bancários nas discussões repassa para os sindicatos da base as propostas elaboradas que são apresentadas aos filiados.

Em 2015 ele afirma que o acordo demorou a ser firmado e a classe ficou em greve durante 23 dias e mesmo assim foi necessário abrir mão do ganho real. “Saímos de uma proposta inicial de 5,5% e passamos para o final de 10%, então tivemos um ganho considerável com a greve. Nós pedíamos a inflação, que era em torno de 10% mais 5% de ganho real. Diante da proposta tão baixa que era no início também a gente abriu mão do ganho real”, conta.

Nós últimos anos o presidente diz que os bancários estavam conseguindo um reajuste salarial com aumento de 1% a 2% de ganho real, porém no ano passado isso não foi alcançado. Com isso a classe conseguiu acumular no salário os índices da inflação mais 50 % de ganho real.

Os bancários têm realizado greves durante 12 anos consecutivos por conta da dificuldade na negociação das reivindicações feitas aos banqueiros. Sobre uma possível paralização o presidente diz que “como são 12 anos não dá para descartar, a possibilidade é grande”. Ele destaca que caso uma greve se configure a população será avisada com antecedência e mesmo assim em casos de emergência as pessoas recebem atendimento.

“A gente sempre tem feito o que pode para que a população sofra menos então em casos emergências a gente sempre negocia e sempre procura atender, mas o sucesso do nosso movimento depende de a gente estar parando os bancos e as operações para que eles atendam as nossas reivindicações”, fala o presidente.

Mário ressaltou ainda que 2016 está sendo um ano atípico por conta da alta inflação e inadimplência dos brasileiros. Ele exemplifica dizendo que mesmo que os bancos estejam fazendo menos empréstimos, eles estão lucrando mais com as altas taxas de juros. “Com isso alguns bancos estão tendo lucros maiores do que nos anos anteriores enquanto não tinha crise, então estão se aproveitando da crise e quando tem crise o banco ganha dinheiro”, expõe.

Pela categoria dos bancários estar unificada nacionalmente e contar mais de 500 mil trabalhadores em todo o país, o presidente lembra que o sindicato, que abrange os 28 municípios do Alto Vale, consegue buscar suas solicitações através de movimentos organizados.