Por: diario | 27/07/2017

A linha de crédito esperada pelas empresas de Rio do Sul, que foram atingidas pelas cheias no mês de junho, foi detalhada. Estão disponíveis no total R$ 5 milhões. Disponibilizada pela Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (Badesc), os valores para empréstimo irão variar entre R$ 30 mil e R$ 250 mil. As empresas terão prazo de 48 meses para quitar o valor, com 12 meses de carência.

As condições do Badesc Emergencial parecem atrativas, mas a taxa de juros é a que mais chamou a atenção, na soma total será de 16% ao ano, sendo 9% de juros anuais, com o acréscimo da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que hoje representa 7% ao ano.

O presidente da Associação Empresarial de Rio do Sul (Acirs), Amandio João da Silva Junior, comenta que o prazo para a quitação está dentro do que era esperado, já os juros poderiam ser menores. “Não é o melhor dos mundos se comparado com a linha de crédito de 2011 do BNDES, há uma diferença gigantesca. Apesar de não ser a melhor das taxas estamos tendo muita procura de empresários para buscar esse recurso”, declarou.
De acordo com o presidente da Acirs, uma linha de crédito com uma taxa de juros de 1% ao mês, o que representaria 12% ao ano, seria considerada um pouco mais ideal para a realidade de hoje. “Logicamente que se nós pudéssemos pedir, ou se o Badesc tivesse condição seria melhor […], mas se existe uma procura grande é porque o mercado está precisando e o banco está atendendo”, disse o presidente da Acirs.

O Sindicato do Comércio Varejista do Alto Vale do Itajaí (Sindicomércio) reconheceu o esforço do Governo e do banco, mas considera a taxa de juros longe da esperada. “Nós já tivemos taxas bem inferiores a isso em outras oportunidades, em 2011 foi 5% ou 6% ao ano, não vejo tanta facilidade assim. Obviamente que se considerar com as taxas de juros cobradas pelo mercado ela é atraente, mas muito aquém de ser um grande benefício”, afirmou o presidente Orival Seola.

A linha de crédito é disponibilizada tanto para as empresas que foram prejudicadas na forma direta quanto indireta, em municípios que tiveram a Situação de Emergência, reconhecida pela União, devido a enchente ocorrida em junho deste ano.

Seola orienta os empresários para terem cautela ao contraírem a linha de crédito emergencial. “Por menor que sejam os juros, quando a economia está estagnada qualquer juro fica caro, quando a economia não gira você vai encontrar dificuldade com os compromissos, é preciso muito cuidado, muita atenção ao contrair esses financiamentos, embora mais vantajosos do que os praticados no mercado”, alertou.

Para ter direito ao empréstimo o empresário precisa oferecer garantias reais de pagamento, como imóveis que equivalem ao mesmo valor da linha de crédito solicitada. O formulário precisa ser entregue junto a relação de documentos que são exigidos, no Badesc, em Blumenau. Outra alternativa é a consulta durante o atendimento mensal que é realizado pelo Badesc na Acirs. A análise de liberação ou não do limite de crédito dura em média 10 dias.

Albanir Júnior