Por: diario | 06/12/2018

Há um ano sem receber as corridas de carros que movimentavam o Autódromo Alceu Feldmann, em Lontras, as pistas que foram palco de disputas emocionantes, agora retratam o abandono. O motivo seriam as dívidas acumuladas e o desgaste dos sócios do Automóvel Clube, responsável pela administração do espaço, conhecido popularmente como “Paraíso”.

O gestor de patrimônio, Diomarzi Palhano, que já faz parte do Clube há 22 anos, conta que o local deixou de receber as provas por falta de disponibilidade dos sócios na organização dos eventos e também em virtude de dívidas.

“Eu fui o primeiro a fazer parte do Automóvel Clube, sempre fui o procurador do proprietário do terreno, Artenir Werner. Na época eu era funcionário dele e me convidaram para construir o autódromo e fazer parte do grupo. Só que hoje, o atual presidente não mora mais em Rio do Sul, simplesmente abandonou, não fez mais reunião, se mudou e foi embora. Eu costumo dizer que o evento não se concretizou em 2018, por dois motivos: economia e desgaste do grupo. Agora o resultado é este: o Automóvel Clube está em dívida, abandonado e desmotivado. É tudo muito bonito no dia, mas por trás do evento, tem que ter um motivador para organizar o campeonato, cuidar da infraestrutura, parte hidráulica e elétrica, isso envolve roçar a grama, mato, limpar os banheiros. Assim como a distribuição de energia elétrica para o camping, toda parte de logística e divulgação, busca por patrocinadores, venda de ingressos e de camarotes. E por último vem a preparação da pista, que envolve patrola, trator, retro, caçamba, caminhão d’água, um trabalho muito complexo e desgastante também”, explicou.

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Além dos motivos fundamentais da não realização do campeonato que lotava os camarotes e camping, Palhano ainda ressalta que outro fator que contribuiu para que as atividades fosse encerradas foi o policiamento.

“A Polícia Rodoviária Federal, deu uma queda de público gigantesca. Tem corrida no Paraíso, tem polícia no portão. Eu particularmente, não sou contra a blitz e o trabalho que eles realizam na nossa região, pelo contrário, sou a favor, mas que não seja ostensivo. Por que só em nossos eventos de automobilismo, com tantas festas acontecendo na região? A medida que os policiais foram apertando o cerco, também fomos perdendo os bons clientes de camarotes, de acampamentos com motorhome. As pessoas saem para se divertir, para tomar uma cervejinha no fim de semana, para ser preso? Quem perde, é o público e nós da organização, com os bons clientes. Pagamos cerca de 14 mil em segurança. Tivemos muita reclamação quanto ao som automotivo, mas vamos anotar tudo em um papel e resolver todos esses detalhes. Queremos ter essa conversa com a Polícia Rodoviária Federal, mas se não tivermos essa conversa e fazer o evento mesmo assim, vamos correr o risco de não ter êxito com o nosso público”, ressaltou.

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Ele revela que a intenção é que no ano que vem, o Automóvel Clube de Lontras volte as atividades, mas para isso realmente acontecer, o gestor declara que precisa de apoio.

“Existe uma segunda via que está sendo construída, que é o Automóvel Clube Alto Vale, e até já montei uma proposta para eu tocar o Clube em 2019. Estamos acertando os detalhes com a Federação Catarinense de Automobilismo (Fauesc), e estamos bem adiantados. Sou um dos mais antigos do autódromo, um dos que tem mais experiência e inclusive o único que prepara as pistas. O falecido Osni Sens e eu, trabalhamos juntos nas pistas, trabalho em equipe mesmo. Já para o ano que vem, acreditamos que o apoio será mais forte. Há uma expectativa de melhora na economia, pois o empresário se dispõe a investir mais nesses eventos. Acredito que, se você tem toda a experiência e apoio, tudo funciona e pode dar muito certo. Vai dar. Já temos o apoio de várias prefeituras como a de Lontras, Ituporanga, Agronômica, alguns empresários e outras parcerias que iremos fechar em 2019. O risco maior nos próximos eventos é a chuva, isso é uma desgraça, pois se chove, já ficamos no prejuízo. Esse ano, em Joaçaba, por exemplo, o ano foi terrível, muita chuva e as provas tiveram que ser adiadas quatro vezes. Na época quando eu dirigia o Clube, coloquei como regra: Marcou a prova? Então só adia a partir de domingo às 10h. E muitas vezes, dava certo e eu conseguia realizar as provas”, complementou.

Quanto a logística para o evento acontecer, Palhano afirma que não vê problema algum, já que o maior desafio será conquistar a confiança do público.

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“Nosso público é muito forte, já chegamos a receber em um dia de prova cerca de 10 mil pessoas. Agora a nossa preocupação é fazer com que essas pessoas voltem para prestigiar as provas aqui em Lontras, isso sim, será desgastante. Mas temos fé, que estamos no caminho certo e faremos de tudo, para o campeonato voltar a todo vapor para nossa região”, finalizou.

Jéssica Sens