Por: Isabel Caetano | 05/05/2018

Um drama que se repete. Assim pode ser a definição da situação por que passa a Associação Protetora dos Animais Desamparados, a APAD de Rio do Sul. Com dívidas que ultrapassam a casa dos R$ 15 mil, a diretoria cogita encerrar as atividades.
O valor não é absurdo. Fato é que a sensação é de enxugar gelo. A demanda por atendimentos, a quantidade de animais abandonados, essa sim é absurda.

Segundo declarou o Diretor Financeiro da APAD, Jailson Losi, só neste ano, já foram mais de 300 animais atendidos e/ou castrados. Fato é que a população de uma cidade inteira recorre a APAD. Fora os pedidos de cidades vizinhas, o que quer dizer cerca de 100 mil habitantes buscando ajuda de apenas quatro voluntários para um número infinito de casos.

Apesar de não fazer mais parte da associação, acompanho esse sofrimento dia a dia, já que muitos me procuram. O resultado, é uma sensação de impotência. Não existe politica pública. A entidade segue sem veterinário, sem sede, com poucos recursos. Hoje a prefeitura de Rio do Sul repassa R$ 7 mil ao mês. Tem também a contribuição na conta de luz. No mais é correr atrás. Feijoada, pedágio, brechó.

Neste momento o problema maior se concentra no repasse da prefeitura, uma vez que com vencimento do edital em maio, será necessário um novo chamamento público. Trocando em miúdos, no ano passado esse enrosco burocrático significou três, quatro meses sem repasse.

Outro grande problema, é a falta de adoção. Resgatados e cuidados nas clínicas, a maioria dos animais não consegue um lar. Muitos são os problemas. Poucas as soluções. Pouco engajamento, falta de apoio. Ou todos se mobilizam, ou todos vão arcar com as consequências. Animais perambulando, causando acidentes, revirando lixo revirado. Se com a APAD as coisas já não são fáceis, imagina sem!!

O início da APAD

A APAD “começou a existir” em maio de 2017. E, sinceramente, me orgulho de fazer parte deste momento. Foi um café, na cantina da Unidavi. Eu, Lurysmey Biz, Regiane Monn. O que tínhamos em comum? Amor e compaixão pelos animais. Sei que muitos tem um olhar de carinho para animais abandonados, feridos. Éramos isoladamente assim. Tínhamos esse olhar. Caso é que sempre têm os dois lados da moeda. Tem quem goste, tem quem NÃO goste. E os casos de maus tratos se multiplicavam. Tentamos ser suporte uma para as outras mas, começaram a ser muitos os casos. Muitos guardadas as proporções do momento, uma vez que há 11 anos praticamente não se falava de cachorros de rua, abandono, maus tratos. Eram 5, 6 casos novos por semana. Mas, sem estrutura alguma, não era fácil.

Foi aí que começamos a pensar em uma organização. De início, e, por quase dois anos, tocada só na boa vontade e como dava mesmo. Até que, em 7 de fevereiro de 2009 foi fundada oficialmente a APAD.

Nunca foi fácil

Não é exclusividade de Rio do Sul. O problema com animais é um poço sem fundo. Agora vou falar só de mim. Eu, Isabel, confesso que não imaginava que seriam tantos os casos. Fato é que só se têm conhecimento das coisas quando começamos a realmente nos envolver.

Pois é.. os casos de abandono iam se multiplicando, os atropelamentos, maus tratos, doenças graves, etc… Na verdade, penso que sempre existiram. A diferença era que a partir daquele momento, muitos começaram a procurar as meninas que “juntavam” animais. Sei que cheguei a ser inconsequente em alguns resgates. Levava pra casa sem saber como ia dar conta. Pagar veterinário, ração, medicamentos.. Mas não conseguia passar e fazer de conta que não vi.

Foram muitos desafios. Imagine se hoje, com um pouco de estrutura e apoio, já não é fácil, a situação era ainda pior há 10 anos. Éramos umas doidas correndo atrás de cachorros e gatos.

Tem tempo que deixei a presidência da APAD. Na verdade nunca me envolvi com a parte burocrática. Fazia mesmo era colocar a mão na massa. Fosse um atropelamento, uma bicheira, um resgate. Dessa forma diria que, fui me afundando. Sem sede, assim como hoje, o jeito era levar pra casa. E lá abriguei quase 70 animais de uma só vez. Hoje, mesmo não podendo, abrigo 22 cachorros e 4 gatos. Se é fácil? Não mesmo. Se fosse só alimentar, já seria pesado. Mas tem vacina, vermífugo, doença de pele, infecção no ouvido. Muita coberta pra lavar, estender, recolher. Casinha pra limpar, coco pra juntar. Banho pra dar. Sim!! É uma canseira. Mas.. vamos lá.. tentando fazer o que dá. Afinal, somos poucos para dar conta de muitos. Mesmo com dificuldades, não dá pra desistir.

Sonho com o dia em que teremos acesso fácil a castrações, atendimento gratuito para quem quiser e precisar. Controle da venda de animais… sonhos… tantos sonhos… talvez não esteja aqui para colher os resultados, mas, ver a semente germinando, apesar de tantas dificuldades, é consolo. É a certeza de que, apesar de a batalha ser tão dura e injusta, ela vale a pena!! Afinal, eles não merecem sofrer.

Como ajudar

Quem tiver interesse em ajudar a APAD, pode contribuir com ração ou com dinheiro. O ponto de coleta mais acessível no Centro é o Pet Shop Boutikão, porém, podem ser deixados em outros locais, que a equipe de voluntários vai buscar. Quem preferir contribuir com dinheiro, pode depositar na Conta da Associação, vinculada à Caixa Econômica Federal: 3961-0, com a operação 003 e a Agência 0423. Se tiver a disponibilidade de ser voluntário ou lar temporário, quiser adotar um cachorro, ou mais, é só entrar em contato pela página no Facebook https://www.facebook.com/apadrsl/, ou pelo WhatsApp (47) 98891-2960.