Por: Guilherme Reginatto | 19/02/2019

Considero o trabalho de Fernando Diniz à frente do Fluminense nestes pouco mais de 45 dias de trabalho (o que é quase nada no futebol) extremamente interessante. Ele conseguiu, nesse curto período de tempo, fazer coisas que grandes treinadores em equipes com melhor elenco não fizeram: dar padrão de jogo. O Flu joga como jogo não por acaso, mas porque foi treinado, instruído a jogar assim e de uma maneira surpreendente os jogadores assimilaram tudo muito rápido. Taticamente o time é muito bom, em termos de ocupação de espaços é um dos melhores do país.

O adversário não joga não porque é ruim, mas porque o Flu não deixa. O modelo de jogo proposto por Diniz prioriza a triangulação, passes curtos e de preferência de primeira. Lançamentos ou balões, só em casos extremos. O tricolor quer a bola e a faz rodar, quando a perde, automaticamente a marcação sobe, dois jogadores dão combate ao homem da bola, um vai para o “bote” e o outro fecha o passe, resultado? A bola volta para o Flu. Contra Vasco e Flamengo foi assim. Na final da taça Guanabara o Flu teve nada menos que 71% da posse de bola e trocou 545 passes certos contra 176 do rival. Números de impressionar. Mas aí você me pergunta, porque então o Fluminense não venceu? Simples.

Limitação técnica dos jogadores. Repito, em termos táticos, organização e plano de jogo o time é ótimo, porém a individualidade dos jogadores que representa boa parte do conjunto, não ajuda. Contra o Vasco o Flu teve duas chances (ambas com Everaldo) de abrir o placar, não o fez e levou o gol de bola parada em um lance que para mim, houve falha do goleiro. Se um elenco mais qualificado como o do Palmeiras, por exemplo, tivesse o padrão e o estilo de jogo do Flu, ninguém segurava. Diniz fez o time com a menor folha salarial entre os quatro grandes do Rio ser o que joga o melhor futebol. Acredito no potencial desse treinador. E tomara que dê certo. Precisamos de treinadores que pense o futebol como um jogo de aposta e não de blefe.

Defender bem, dá resultado!

O Vasco tem no ótimo desempenho da sua defesa a resposta para o bom momento na temporada. O time tomou só dois gols no campeonato Carioca em 78 finalizações sofridas, 25 delas no gol. O ataque pode até ser “econômico”, mas se a defesa for sólida o resultado geralmente vai ser positivo. Vasco campeão da Taça Guanabara com 100% de aproveitamento.

União entre os clubes?

Esqueçam! Não vai acontecer. Pelo menos até a próxima geração. Há pouco mais de dois anos, quando houve o acidente com o avião da Chapecoense todos ouvimos discursos emocionados comprometidos com a união entres os clubes. E agora? Já esqueceram. Há quase duas semanas vivenciamos uma tragédia no Ninho do Urubu que comoveu os cartolas, parecia que a semente da solidariedade finalmente brotara no futebol. Ledo engano. Foi só surgir uma decisão com impasse no setor das torcidas (motivo pra lá de besta) para desandar tudo. Dirigentes brigando pela razão em detrimento da emoção do espetáculo. Não adianta amigos, querer a união dos clubes é, neste momento, pedir demais.

Promessas do Alto Vale

No fim de semana recebi a notícia de que o garoto Davi, atleta do CT Deonas Esportes de Ituporanga e filho do Juliano Mateus, técnico de futsal capital da cebola, vai vestir a camisa do Santos. O Davi ainda nem completou oito anos de idade e já chama atenção de quem o vê jogar pela facilidade que tem em conduzir a bola, driblar e fazer gols. A diferença dele para os garotos da mesma idade é gritante. Mais cedo ou mais tarde, uma oportunidades dessas iria surgir, que bom que ela chegou e que o papai Juliano está dando apoio. O Juliano é um cara formidável, conhece do meio e certamente ajudará o filho a crescer no esporte. O mesmo acontece com outra promessa do Alto Vale, o goleiro Júlio, filho do ex-goleiro Juliano Venturi de Trombudo Central. O Júlio hoje veste a camisa do Athlético Paranaense no futebol de campo de base e o paizão se mudou pra Curitiba para acompanhar a evolução do filhão de perto.

Ibirama em destaque

Mais uma vez a cidade de Ibirama roubou a cena em uma competição transmitida em rede nacional pela Rede Globo. Tô falando da Descida das Escadas de Santos, uma prova tradicional do Downhill nacional. Por lá, no feminino Bruna Ulrich trouxe para casa o bi campeonato. Já na elite masculino o jovem Lucas Borba novamente teve de entregar a coroa de campeão para o último competidor que o bateu por milésimos de segundos. De qualquer forma o vice-campeonato em uma disputa do mais alto nível como essa representa a capacidade de andar entre os melhores da América do Sul.