Por: Elisiane Maciel | 13/07/2018

Há alguns anos, passei por dificuldades tremendas. E inclusive, quase morri por duas vezes seguidas. Vivia a vida a mil. Trabalhava. Estudava. Saia. Na verdade, não parava de sair. De segunda a segunda no ritmo avassalador. Não tinha tempo de ligar para meus pais. De conversar com minha irmã. De visitar minha família. Queria aproveitar tudo. Não perder nenhuma festa e viver como se o mundo fosse acabar.

De repente, fiquei doente. Um simples problema, mas que quase me custou a vida. De uma hora pra outra. Minha vida que era à mil, parou. Fiquei internada. Deixei de trabalhar. Estudar. De sair. Fiquei por quatro meses lutando. E decidi viver. Sai. Mas não foi o suficiente. Ainda não havia aprendido que eu deveria valorizar minha vida. Continuei seguindo o mesmo caminho de erros. E o destino me trouxe outra intempérie. Que novamente, me deixou entre a vida e a morte.

Dessa vez eu acordei. Eu vi que a errada era eu. Que não havia escutado os conselhos chatos de minha mãe. Que não tinha valorizado a ajuda de meus pais. Que não tinha o esmero que minha irmã tinha comigo. Estava no fundo do poço. Sem fé. Sem esperança. Com uma vida sem sentido. Com uma vida cheia de perigos que eu mesma havia provocado e teria de passar sozinha. Eu havia construído meu destino. Eu havia me destinado ao fim. Não tinha mais para onde correr.

Não podia pedir ajuda para meus pais. Não sabia o que fazer. Me desesperei. Lembro como se fosse hoje, que fui desesperada até a Catedral, aqui em Rio do Sul, me ajoelhei e comecei a chorar. Não rezei nem pedi graças, nada. Só pedi perdão. Lá de dentro da igreja, para Deus, para meus pais e meus irmãos. Por meus erros. Por eu ter colocado o meu destino e de todos ao meu redor naquela situação. Fiquei mais de uma hora lá dentro, chorando, ajoelhada, e sem saber o que fazer. Voltei ao trabalho. E quando me deparei com as consequências, assumi que aquele caminho eu havia construído. E que o destino me deu uma chance de se redimir. Liguei para minha mãe e pedi ajuda. Com medo de não me ajudar. E mesmo com meus erros, ela deixou tudo e veio me apoiar. Me surpreendeu. Me fez entender que eu devia mudar. Que era minha terceira chance que a vida havia me concedido e que eu não poderia mais desperdiçar.

Hoje, quase dez anos depois, sei que eu precisei ter quase perdido por duas vezes minha vida para acordar. Para dar um tempo a fé. Para colocar minha família em primeiro lugar. Para valorizar quem me ama. Na minha concepção, Deus havia me dado duas oportunidades de me redimir e eu não entendi o sinal. Me colocou à prova da morte por duas vezes para que, somente depois de um tempo eu tivesse a coragem de pedir perdão e ver que errei. Foi preciso quase morrer para ver que minha família vem em primeiro lugar de tudo. Para eu perceber que mesmo tendo várias e várias pessoas ao meu redor que não acreditam nas mesmas coisas que eu, eu não posso me deixar levar. Hoje, digo de peito aberto, que sem minha família, hoje maior por ter conosco meu marido, eu não sou ninguém. Eu amo meu marido, meus pais e meus irmãos. E infelizmente, vez ou outra ainda me deparo chorando por coisas erradas que eu fiz ou por coisas certas que deixei de fazer.

Te aconselho uma coisa. Sincera e de coração: não deixe de amar. Não pare de frutificar o amor. É dele que as melhores coisas da vida brotam. Sem ele você não chegará a lugar nenhum. E não pense que estou falando só de amor voltado a relacionamento conjugal. Me refiro ao amor ao próximo. Quando você aprender a amar, vai valorizar sua própria vida. Ame sua família.

Valorize seus pais. Eles fariam de tudo por você! Devemos sempre ter amor e respeito por nossos pais. Mesmo que eles pensem diferente de nós no fundo querem o nosso bem. Ame seus irmãos. Leve sua família sempre em primeiro plano. Deus criou a família, para ser a nossa base e nos ajudar a nos mantermos firmes e decididos para conseguir conquistar nosso propósito.
Não deixe que a morte te ronde para perceber o valor que a família tem. Eu sofri. Penei. Chorei. Ainda choro. Mas aprendi! Aprendi que por minha família eu faço tudo e sei que por mim eles fariam o mesmo. Depois que aceitei o “tempo” que a vida me pedia, eu aprendi a viver. Aprenda a viver também. Talvez a vida não te dê duas chances como me deu…