Por: Elisiane Maciel | 08/11/2018

Participei nesta semana de uma palestra muito legal sobre marketing e essa era digital, com um palestrante super inteligente de Maceió, trazido pela Atemepre de Pouso Redondo. Entre as pautas do encontro, foi mostrado a evolução da internet, e consequentemente, das tecnologias.

Depois disso, comecei a refletir sobre o assunto e ver a minha própria progressão neste mundo digital. Como vim de uma comunidade do interior, tive o primeiro contato com a internet mais tarde do que as pessoas têm hoje, por exemplo. Hoje minha sobrinha tem dois anos e domina um smartphone com buscas no Youtube e demais aplicativos, mas eu tive as primeiras experiências com a internet somente quando tinha quase 17 anos. Logo após iniciei a faculdade e tudo ficou mais fácil, inclusive viciante com o Orkut e MSN rsrs.

Em todos esses quase 11 anos, muita coisa mudou. Há dez anos não prevíamos que essa onda tecnológica estaria tão avançada como está. Hoje, você não precisa mais sair de casa para pedir comida, comprar roupas, móveis e seja lá o que for. Você consegue fazer tudo isso de casa, sem medo e sem transtorno. Hoje, aulas podem ser ministradas totalmente à distância, justamente por termos qualidade em internet e em tecnologia. Câmeras quase não são mais precisas pelo mercado oferecer aparelhos celulares que tem lentes melhores que câmeras profissionais. Realmente, a tecnologia veio para ajudar e a internet para facilitar nossas vidas e até mesmo, profissão.

Por outro lado, muitas pessoas deixaram de viver socialmente por causa do aparelho celular, internet e tecnologia. E isso começa na própria família. Na minha, nem todos têm acesso à internet ou à um smartphone, e por meus pais morarem no interior e lá não pegar muito bem a rede do celular, ainda há conversa, risadas, jogatinas de baralho e fofoca. Mas quando essa minha mesma família, se reúne na casa de algum parente que mora no centro, o diálogo fica mais mesmo para quem não tem muito acesso à tecnologia, porque vou admitir, que nós que temos, acabamos nos reunindo em grupinhos e assistindo vídeos engraçados ou até mesmo se isolando para ver as novidades das redes sociais.

Mas isso não acontece só na minha família, acredito que hoje na maioria das famílias esteja assim. O lado bom é a facilidade de comunicação entre os próprios membros pelo Whatsapp, Facebook ou Instagram. Tirando as brigas que são comuns nestes grupos familiares né. Mas o lado ruim é realmente esta falta de diálogo e sensibilidade que a tecnologia está provocando. Hoje, você já levanta da cama procurando o celular, ou olha as “News” antes mesmo de levantar. Esquece um documento em casa, dinheiro, esquece do filho, mas não esquece do celular. Hoje, por mais discreto que você seja, qualquer pessoa pode te encontrar, descobrir teu número, nome, cidade, e isso me preocupa um pouco. Todos os dias recebo mensagens de inúmeras pessoas que eu nunca vi e que eu nem sei como conseguiram meu contato. E não me refiro aos contatos profissionais. Sei que compartilho bastante coisas, mas sou bem seletiva nos amigos que aceito me seguem nas redes sociais.

O fato é que apesar de saber que este é o futuro, que eu trabalho com mídias digitais, sinto um pouco de medo de viver neste mundo daqui uns dez anos. Já está se falando em pessoas que já estão implantando chips nos próprios corpos, ou que daqui há algum tempo humanos serão ultrapassados por robôs. Esse lado me preocupa. Sei que talvez não te preocupe, mas a mim causa desconforto sim. Porque já existiu um tempo sem celulares, sem computadores, sem videogames. Uma época em que o trabalho era feito, as pessoas voltavam para casa, assistiam televisão e iam ler, conversar, enfim, viver. Hoje isso não acontece mais. Mas no mundo em que vivemos, estar fora da tecnologia é estar fora do mundo. A tecnologia deixou de ser um simples diferencial no trabalho e se tornou uma ferramenta obrigatória. Passou a oferecer apoio às tarefas do dia a dia, dar velocidade na comunicação e na interatividade [virtual] entre as pessoas. Mas temos que ter cuidado.

A pergunta que fica e que já é quase um clichê é: “Você usa a tecnologia para seu crescimento pessoal ou a tecnologia escraviza a sua vida pessoal?”. Vou responder por minha pessoa: trabalho com um meio de comunicação, produzo textos para blogs, sites e redes sociais, compartilho várias coisas nas minhas redes particulares, participo de vários grupos de WhatsApp, sou maratonista de séries da Netflix e utilizo a internet em todos os meus trabalhos e estudos. Sei que relatei ali em cima que quando estou reunida com alguns familiares e até mesmo amigos, às vezes a gente acaba se isolando por um tempo com o celular. Mas nunca deixei ou vou deixar de dar atenção à meu marido, amigos e familiares por isso. Sempre tenho meu tempo diário para ligar para meus pais, falar com meu irmão e conversar com meu marido. Morro de saudades das minhas sobrinhas, tento sempre vê-las quando é possível. Espero que você também faça isso enquanto ainda há tempo, porque se hoje, que a tecnologia ainda não conseguiu tomar todo o nosso tempo, você já está excluído da sociedade, daqui há dez anos você estará completamente sozinho!