Por: Elisiane Maciel | 16/11/2018

Roupas da moda, nova coleção de sapatos, novo jogo lançado, uma música que viraliza, moda ou personagens copiados de novelas, ser patricinha ou playboy mesmo sendo pobre, são alguns dos exemplos de pessoas adequadas à uma sociedade doente que perpassa de geração em geração.

São alguns dos exemplos de nossa sociedade, não somente a atual, mas a de sempre. Sempre existiu a tal “Maria vai com as outras”, uma fase que vai passando de geração à geração. Quem nunca se passou ou conhece alguém que mesmo sem ter casa, sem ter carro, ou até mesmo um emprego que consiga se sustentar sozinho, finge que tem dinheiro, compra roupa das melhores marcas, geralmente com o símbolo da marca aparecendo mais que a roupa, vai em todas as baladas, daquelas mais caras que tem no estado e vive na praia ou viajando para outros lugares. Na maioria das vezes, essa pessoa se afunda tanto em compras, que não consegue mais pagar. “Ahh é um velhaco?” Não!

É só uma pessoa infeliz que quer tentar se encaixar em uma sociedade que não condiz à ela. É uma questão de querer se adequar a um grupo que não pertence a você.

Aqui está muito claro que a pessoa sofre uma crise de identidade. Ela quer ser quem não é. Quer se encaixar em uma sociedade que não pertence aos padrões de vida que ela leva. “Ahh mas a pessoa pobre não pode ser amiga de quem é rico?” Claro que pode! Mas a pessoa que não é rica, naquele momento porque no futuro pode vir a ser, não vai conseguir alcançar o mesmo patamar de quem é. Pode até conseguir acompanhar todas as festas, modas… Mas não vai se manter assim por muito tempo. Ah não ser que o amigo rico ofereça ajuda em alguns quesitos. Mas mesmo assim, para essa pessoa que é de classe menor, é muito frustrante saber que também trabalha, muitas vezes mais do que o amigo que esbanja dinheiro, e não consegue acompanhar. Uma coisa que precisa ser citada, é que muitas destas pessoas que fingem ser o que não são, nunca contam onde trabalham, onde vivem, justamente para poderem continuar nesses grupos, ou por medo de serem ridicularizados. O fato é que, enquanto elas tentarem ser iguais a esse grupo, jamais serão felizes de verdade. Ninguém consegue viver só de aparências.

Outro exemplo. Explodiu há alguns meses, uma música quase insuportável de ouvir, chamada “Que tiro foi esse”. A letra é uma piada, na minha opinião, e o ritmo também. Mas era só o que tocava nas rádios, nas festas, nos carros que passam com o som alto, na televisão… Mesmo que você odiasse a música, às vezes era obrigado a escutar por estar em um ambiente compartilhado. As pessoas “adequadas”, curtiam muito a música, mesmo que no fundo estivessem odiando o ritmo. Elas tinham que curtir porque todos ao redor dela estavam curtindo. Nas festas que ela ia só tocava essa música, e no fim, ela se acostumou a ouvir e dançar e passou a gostar.

Moda. Muita coisa que entra “na moda” me faz a cabeça sim. Tem bastante peça bonita que acaba me conquistando. Mas tem coisas que jamais. Principalmente aquele tipo de roupa que a produção da atriz de novela criou, e que acaba caindo no mercado como uma febre. Eu sempre compro roupas, às vezes até demais, mas nunca sigo a moda. Eu compro as roupas do estilo que eu gosto. As vendedoras que me conhecem já sabem meu estilo, ahh eu também já fui vendedora, só para completar, quando chegam peças na loja que elas sabem que eu vou gostar já me ligam. Mas nunca me mandam coisas “da moda” porque sabem que não vão me convencer. E depois tem outra, infelizmente não tenho dinheiro para seguir a moda né hehe, daí compro uma peça esse ano que ano que vem ninguém vai usar e tenho que guardar, mas enfim, não vem ao caso.

Há meses atrás, foi lançado um jogo chamado Pokémom Go, olha que não sou das mais perdidas em vídeo game. Tem alguns jogos que eu adoro e que já zerei várias vezes no PS4. Mas sinceramente, quando esse aí lançou, não me fez a cabeça de jeito nenhum. Achei muito nada haver você sair que nem doido pelas ruas para capturar os bichinhos. Mas muita gente, inclusive meu marido, baixou o jogo. Porque mesmo sendo nada haver, era a onda do momento no mundo dos jogos. Era uma febre no Brasil. E muita gente acabou baixando e jogando simplesmente por isso. Porque os outros estavam jogando também.

São inúmeros exemplos que podem ser citados, onde pessoas se adequam à sociedade ou à um grupo, porque os outros estão inseridos nele também. A sociedade impõe que as pessoas vivam engaioladas, tendo sempre que seguir um padrão, que se encaixar em normas pré-determinadas, como se todos fossem todos iguais. Mas a verdade, é que você precisa ser quem você é! Isso se chama ser inadequado! Albert Einstein era inadequado, e olha quem ele foi! Ayrton Senna era inadequado e foi um grande herói da F1. Gisele Bündchen era inadequada, a magricela da escola, e olha quem se tornou. São exemplos práticos de pessoas inadequadas que fizeram a diferença. Cada um tem suas qualidades, seus dons específicos e seu próprio valor. Não deixe que os seus se vão embora por pura vaidade e por somente querer ser adequado ao que dita a sociedade.

Ser inadequado é poder se guiar pelo seu coração, ser mais do que uma máquina que faz tudo exatamente como lhe é ordenado. Ser inadequado é poder sentir intensamente a vida. É saber que existem muitas coisas que você queria fazer, mas não faz e ao mesmo tempo, é saber que existem coisas que só você faz. É tentar descobrir quem você realmente é. É permitir que escolhas façam você. Ser inadequado é ser o seu eu por inteiro, sem medo dos julgamentos.

Ayrton Senna nos deixou essa reflexão: “Não importa o que você seja, quem você seja, ou que deseja na vida, a ousadia em ser diferente reflete na sua personalidade, no seu caráter, naquilo que você é. E é assim que as pessoas lembrarão de você um dia”. E além desta frase, finalizo com outra de Coco Chanel, uma mulher que nasceu de uma família pobre, mas construiu um dos maiores impérios do mundo e é a única estilista presente na lista das cem pessoas mais importantes da história do século XX: “Para ser insubstituível, você precisa ser diferente”. Pense nisso e seja inadequado, porque não se adequar à essa sociedade doente, é uma dádiva!