Por: Elisiane Maciel | 18/10/2018

Hoje vou iniciar com um conto, bem antigo, mas que pode nos trazer uma boa reflexão: a estória do pote quebrado. O conto diz que um jovem carregador de água, sempre levava dois potes pendurados em cada ponta de uma vara.

Um dos potes tinha uma rachadura pequena e sempre chegava apenas com a metade da carga de água no fim do percurso. Já o outro, estava inteiro e sempre e chegava completo de água.

E assim foi por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa do seu chefe. E é claro que o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações, por outro lado, o pote rachado estava envergonhado da imperfeição e se sentindo miserável por apenas ser capaz de realizar metade do que lhe era designado fazer.

Depois de algum tempo, o pote rachado disse ao o homem, à beira do poço: “Estou envergonhado, quero pedir-lhe desculpas”, e o homem respondeu perguntando o porquê desta vergonha, e o pote rachado respondeu: “Nesses dois anos só fui capaz de entregar metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que boa parte da água vaze pelo caminho da casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, mesmo tendo todo esse trabalho, você não ganha o salário completo pelos seus esforços”.

O homem apenas acenou com a cabeça e durante o caminho até a casa de seu chefe, disse ao pote: “Você notou como existem flores no seu lado do caminho? Notou que, dia a dia, enquanto voltávamos do poço, era você quem as regava? Por dois anos pude colher essas flores para ornamentar a mesa do meu senhor. Se você não fosse do jeito que é, ele não poderia ter tanta beleza para dar graça a sua casa. Já o outro pote, sempre levava a quantidade certa de água, mas nunca proporcionou nada de bom além disso”.

Assim como no conto, é em nossa vida! Cada um de nós tem os próprios defeitos, mas assim como eles, temos nossas qualidades também. Os defeitos não podem nos impedir de dar utilidade à nossa vida. Se é verdade que temos nossas fragilidades, também é verdade que temos nosso valor, e nosso valor sempre será maior.

Eu sei que é difícil aceitar nossos defeitos e encontrar o que proporcionamos de bom, mas aquele que não sofre, que não dá nada de si, também não contribui para nada neste mundo. Não existe uma pessoa boa que não tenha defeitos, não há quem acerte sempre, quem tenha sempre atitudes certas e precisas. Somos seres humanos, errar é humano e aprender com o erro também. Quanto aos defeitos, entra um tema que já foi abordado, mas é bom repetir, que é sobre as pessoas que não encontram os próprios defeitos mas sabem apontar os dos outros. Estas, não fazem tanta diferença na nossa vida, nem mesmo no mundo, justamente por não possuir tanto valor. Neste caso, falta humildade de assumir!

É importante lembrarmos todos os dias que cada pessoa é única neste mundo. Cada uma tem seu ideal, seu propósito de vida. Ou seja, não há ninguém igual a você. Talvez um defeito que você acha que possui, possa nem ser defeito ou até mesmo, possa ser considerado como qualidade para outra pessoa. Precisamos saber que é de nossas limitações que tiramos nossas forças. Devemos ter consciência das limitações, mas nos concentrar sempre em nossas qualidades. Temos que usar estes nossos defeitos para embelezar nossas vidas.

Pense que todos nós, de alguma forma, somos como esse pote rachado. Mas, se permitirmos usar nossas qualidades e potencial, teremos uma função tão linda quanto a dele, apesar dos defeitos. Agora se você acha que não possui defeitos e que é perfeito, assim como o outro pote, vai chegar uma hora que você vai olhar para trás e ver que não fez nada demais além de viver sua própria vida. Que não plantou flores, que não pôde colher nada. Que não trilhou o caminho que talvez poderia ter trilhado. Aí será tarde demais, você estará velho e não terá mais tempo de consertar, ou de fazer o seu caminho, de encontrar seus defeitos.

O mais importante nesta vida, é buscar conhecer nossas imperfeições e valores. Aos valores que já temos devemos dar o devido reforço, e aos defeitos a devida atenção para transformá-los em virtude. Agindo assim, não vamos correr o risco de estar à beira do caminho a lamentar sobre as limitações, mas agiremos rápido para superá-las e seguir adiante. Enfim, nunca se julgue inútil ou incapaz, é de nossas fraquezas que tiramos nossas forças.