Por: Elisiane Maciel | 06/09/2018

Sou filha do meio. Bem apegada com meus pais e também com meus irmãos. Minha irmã não foi muito receptiva com minha chegada. Também, a coitadinha tinha cinco anos e já tomei a vaga de bebê da casa. Mas, por força do destino ou de meus pais, rsrs, logo ela teve de se acostumar, por que já que era a irmã mais velha, teria que ajudar a cuidar do bebê que havia chegado. Antigamente não havia essa frescura toda que há hoje em dia, por isso, mesmo pequena, minha irmã tomava conta de mim. Meus pais iam para a lavoura, e ela ficava responsável por esse ser aqui.

Não quer dizer necessariamente que minha mãe largava as crianças em casa. A lavora era próxima de casa e muitas vezes a mãe levava nós duas para a roça, onde ficávamos acomodadas na sombra.

Pois bem. O tempo foi passando e eu ainda era a mais nova. Enquanto minha irmã era menor, a gente brincava bastante. Mas ela foi crescendo e as brigas foram vindo, porque ela já não queria brincar comigo. Na verdade, muitas brigas eu causava, a maioria. E algumas vezes, minha irmã provocava também. Mas, indiferente de quem tivesse provocado, as duas levavam castigo de minha mãe por terem brigado. Mas lembro até hoje, de todos os momentos e brincadeiras que a gente fazia, desde caçar borboletas até pegar cavalo escondido para andar.

Quando eu tinha oito anos, quem perdeu a vaga foi eu. Meu irmão nasceu e o bebê passou a ser ele, até hoje na verdade. Dessa vez, a babá era eu. Cuidei dele sempre, com auxílio da minha mãe claro, mas tive bastante parte no desenvolvimento dele, assim como minha irmã no meu. Até hoje me preocupo com ele como se fosse meu filho, e procuro sempre saber como e onde ele está. Só que claro, não foi assim fácil de aceitar ceder minha vaga à ele não. Tanto que fiquei super doente quando ele nasceu.

Depois do nascimento dele, as brigas foram mais crescentes, desta vez mais com ele e menos com minha irmã mais velha. Porém, como eu tinha mais contato com ele, a coisa mudou de figura e ao invés de sobrar para minha irmã, sempre sobrava para mim. Ele sempre se escapava, porque era o último filho, o mais mimado. Nessas horas me vinha na cabeça “como eu queria ser filha única”. Uma frase que todos já pensaram, não é mesmo? Quem tem irmão ou irmã e nunca disse isso – ou ao menos pensou – uma vez na vida, que atire a primeira pedra. Muitas vezes só de olhar um para o outro já era motivo para discussão.

Só que essas bobeirinhas se tornam bem menos conflitantes quando a convivência diminui. Prova disso é que quando os irmãos passam a viver separados, começam a se dar bem melhor, até ficando mais unidos em alguns casos. Nós somos um exemplo disso, hehe. Parei de brigar muito mais com meus irmãos, depois que deixei de morar com eles.

Na verdade, fugi um pouco do assunto. Não queria falar e focar tanto nas brigas de irmãos, mas não tem como falar de uma coisa sem citar outra. Queria falar do vínculo, não só de sangue, mas sentimental que eles representam, principalmente para mim. Não há amizade mais bonita e verdadeira do que a amizade entre irmãos. Sabemos que as diferenças, ciúmes, e principalmente a convivência dificulta muito as coisas, mas com uma boa conversa baseada na sinceridade, é possível resolver tudo e até mesmo conhecer melhor um ao outro.

Minha irmã foi minha melhor amiga na adolescência e também na juventude. Era minha confidente e cúmplice. Além disso, era meu espelho na hora de opinar sobre a melhor roupa para usar naquela festa, para pedir conselhos amorosos, para ser o ombro amigo nos momentos difíceis ou para emprestar aquela blusinha que eu tanto adorava. Ela era minha companheira de balada, de faculdade e de aluguel. Convivi com ela desde que nasci até os quase 24 anos. Doeu bastante quando decidi seguir meu rumo, mas isso não fez com que nos distanciássemos.

Claro que, infelizmente, não é todo mundo que tem o privilégio de ter uma relação boa e próxima com os irmãos, seja porque não moram perto ou por diferenças na forma de viver e ver o mundo. Mas se você tem irmãos e por inúmeros motivos não se dá bem com ele, cortou contato e não sabe mais nem onde está, o procure. O que é passado já foi.

Problemas existem em todas as famílias. Brigas acontecem muito, principalmente no caso de irmãos. Mas isso não quer dizer que por isso tenhamos que viver de birra um com o outro. Irmãos são a família mais próxima, além de nossos pais. Eu sei que muita gente não tem irmãos, e também sei que alguns têm mas não conhecem por não terem crescido juntos, ou por diversas situações. Mas se você, conhece e conviveu com seus irmãos, não os abandone! Eu gosto de meus irmãos com a mesma intensidade que gosto de meus pais. E sempre que possível tento estar presente. Já falhei muito e me arrependo. Mas tento, diariamente, não cometer mais esses erros e propagar a união!

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