Por: Elisiane Maciel | 13/09/2018

Há algumas semanas fiz uma coluna que tratava do assunto, mas, como agora estamos no mês de setembro, a prevenção ao suicídio precisa ser abordada com mais frequência. Escrevi sobre alguns dos fatores que fazem com que as pessoas cometam o suicídio, sobre a importância da ajuda profissional e familiar, e hoje, vou abordar mais a causa do Setembro Amarelo e tentar explicar que apesar de ser delicado, somente com o diálogo é que ajudaremos a prevenir.

Hoje, o suicídio no Brasil já faz mais vítimas que a AIDS e mata mais do que vários tipos de câncer e, mesmo assim, muitas pessoas ainda não discutem o assunto e têm medo de encarar as doenças psicológicas que, muitas vezes, levam à morte. Todos os anos, aproximadamente um milhão de pessoas morrem por suicídio. Aproximadamente uma pessoa se mata a cada 40 segundos. Essa é a 10ª maior causa de mortalidade no mundo. Aqui no Brasil são mais de 12 mil casos ao ano. No Alto Vale, neste ano, cerca de 30 mortes já foram registradas. Diversas ações públicas tem ajudado a prevenir o suicídio aqui na região. Mas a diferença não será possível se todos não abraçarmos a causa.

O suicídio está presente em toda a história da humanidade e ainda assim é um assunto obscuro, coberto por um véu pesado, é um tabu. Não falamos dele.

Temos medo de falar e aumentar os números, e por isso, acabamos cortando o diálogo necessário. Mas temos que ter em mente que falar sobre suicídio é importante justamente para que possamos reduzir o número de pessoas vulneráveis. Uma questão de saúde pública e que é só propagando a prevenção que conseguiremos ter êxito.

Pensando em conscientizar a população, se criou o “Setembro Amarelo”, que é uma campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015, em Brasília. O objetivo do mês de prevenção do suicídio é conscientizar as pessoas deste problema tão grave, que tira tantas vidas, todos os anos. O Setembro

Amarelo é um mês de diálogo, sendo que este é o primeiro passo para se evitar o suicídio, um mês que busca criar conversas sobre o assunto, deixar as pessoas que sofrem com pensamentos suicidas saberem que elas não estão sozinhas, que existem meios de tratar estas doenças e que a morte não é solução.

A cada dez suicídios, nove podem ser evitados, segundo os especialistas. É preciso falar abertamente sobre suicídio, seja em família, nas escolas, ambiente de trabalho, igrejas ou na mídia. O que não podemos é tentar fugir dessa conversa ou pensar que este é um problema que não atinge a população.

Uma boa conversa pode ajudar a salvar vidas! Não se calar é a primeira das medidas para evitar que mais casos continuem acontecendo. A conscientização aumenta as chances de que as pessoas mais vulneráveis sejam direcionadas ou busquem um tratamento de saúde mental mais apropriado. Diferente do que pode parecer, falar sobre suicídio de maneira cuidadosa e adequada não gera aumento no número de casos, pelo contrário, trazer o assunto para diálogos saudáveis contribui para a promoção da saúde mental. Uma coisa que deve ser lembrada, é que depois do diálogo e de ter percebido essa inclinação ao suicídio, a pessoa deve ser encaminhada para tratamento profissional, com psicólogos e psiquiatras. É isso! Faça sua parte!

Uso da cor amarela

A cor amarela é usada para representar o mês da prevenção do suicídio por um fato que aconteceu com um casal, que perdeu o filho de apenas 17 anos por um ato suicida. Dale Emme e Darlene Emme. O casal foi o início do programa de prevenção de suicídio “fita amarela”, ou “Yellow Ribbon” em inglês.

Em 1994, Mike Emme, filho do casal Dale Emme e Darlene Emme, com apenas 17, cometeu suicídio. Mike era conhecido por sua personalidade caridosa e por sua habilidade mecânica. Restaurou um Mustang 68 e o pintou de amarelo. Mike amava aquele carro e por causa dele começou a ser conhecido como “Mustang Mike”. Mas, aqueles próximos de Mike não viram os sinais e o fim da vida do garoto chegou. No dia do funeral dele, uma cesta de cartões com fitas amarelas presas a eles estava disponível para quem quisesse pegá-los. Os 500 cartões e fitas foram feitos pelos amigos de Mike e possuíam uma mensagem: Se você precisar, peça ajuda.

Os cartões se espalharam pelos Estados Unidos. Em poucas semanas começaram a aparecer ligações. Um professor de outro estado havia recebido um dos cartões de uma aluna, pedindo por ajuda. Diversas cartas chegavam de adolescentes buscando ajuda. A fita amarela foi escolhida como símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a buscar ajuda.

Em 2003 a OMS instituiu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, e o amarelo do mustang de Mike é a cor escolhida para representar este sentimento.