Por: Elisiane Maciel | 17/05/2018

Armamento do cidadão ou desarmamento? Uma questão que há tempos está se discutindo. Que nos mostra controvérsias. Que pode ser bom, mas também ruim. Que inibe o bandido e protege – ou mata – a população. Um tema até difícil de ser discutido. Um tema que sempre gera polêmica, discussão e é difícil chegar a um acordo respeitando a opinião pluralizada.

Sou a favor do armamento, em partes. Por exemplo, do agricultor, desde que a arma não saia de dentro da propriedade. Ou seja, da posse. Não sou tão a favor da posse da população da cidade. Seria bom no caso de assaltos ou tentativa de homicídio, para proteção própria e da família. Mas poderia ser usado como resolução de briga de vizinhos, discussões banais, entre outros exemplos que tornaria a matança ainda maior.

“Ah mas na agricultura também tem vizinhos!” Com certeza! Mas não é um número tão considerável se relacionado com a proximidade das casas na cidade. Geralmente no interior as propriedades ficam longe uma da outra, o que também dificulta na segurança das famílias em casos de invasão. Além disso, infelizmente temos poucos policiais e é quase impossível cuidar de todo o interior. Até mesmo pela extensão das estradas vicinais e por moradias ficarem longe das estradas gerais.

Em relação ao porte de armas, seja na cidade ou interior, sou extremamente contra. Temos hoje em dia uma população que não se importa muito com o outro. Um mundo onde o egoísmo reina. Onde o bem estar próprio é o que interessa. Onde pessoas nem se constrangem e ao invés de ajudar uma pessoa acidentada agonizando, preferem fotografar e enviar aos grupos antes mesmo do socorro chegar. Uma população diferente de dez anos atrás. Muito pior que de 20. Agora, você já imaginou esse mesmo tipo de população portando uma arma?

Se acontece uma briga de trânsito: mata. Se acontece uma discussão na rua: mata. Se se irritar com o vendedor: mata. Se não gostar do governante: mata. Se o carteiro não levar a correspondência: mata. Se alguém estiver devendo para outro alguém: morre. E assim vai, sem fim. E outra coisa, se hoje, mesmo sem porte de armas de fogo já há tantos números de homicídios, feminicídios, e por aí vão os “cídios”, imaginem com a população armada.

É claro que seria muito bom pela defesa própria contra estupro, assassinato, sequestros, assaltos e por aí vai. Mas na mesma hora que penso que seria bom, vejo que, se hoje em dia a vida humana já não vale quase nada para alguns, imagine quando for liberado a defesa com tiros. Alguns bandidos seriam eliminados. Mas muita gente inocente e de bem, morreria também. Às vezes até minha defesa de posse para o homem do campo me faz se contradizer, pois podem surgir muitas situações não planejadas. Nada acontece conforme o planejado e imaginado.

Principalmente em uma situação tão delicada.

Na verdade, esse é um tema que há muito tempo está sendo debatido e estudado no Brasil. Eu acredito que, mesmo sendo em partes contra e em outras a favor (da posse, nunca do porte), se os governantes aumentarem o número de policiais e de presídios em nosso país, somado a continuação de programas semelhantes ao Patrulha Rural e Rede de Vizinhos, talvez nem seja preciso armar a população. Talvez já se resolva o problema antes de aumentá-lo. Nós teríamos muito mais efetivo para proteger nossa população. Automaticamente prenderiam mais pessoas que comentem delitos. Isso seria uma alternativa de reduzir a violência no país.

Acredito ainda, que antes de se tomar a decisão de armar ou não a população, e depois de aumentar o efetivo, é preciso instalar novas leis em nosso país. Leis onde policiais possam exercer o papel como militares e usarem a arma que possuem. Para que possam defender a população com liberdade. Para que o policial deixe de ser o vilão, pois na verdade são nossos heróis.

Casos como o da policial que atirou em um bandido essa semana geram polêmica. Apoiei a atitude dela, mas, será que só casos assim merecem homenagem? E o trabalho que os demais policiais têm todo dia? Que mesmo com pouco efetivo estão todos os dias nas ruas para nos defender? Que geralmente são a minoria entre bandidos e ainda são punidos, processados e martirizados por sacar a arma. A arma que pelo que eu sei são os únicos no momento a poderem utilizar.

Infelizmente esse é um problema que está longe de acabar e eu concordando ou não com a posse, lá no fundo, o Brasil tem chance de voltar a prosperar, mas muita coisa teria de ser diferente, e não sendo pessimista, não vai acontecer tão cedo.

Elisiane Maciel

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