Por: Cláudio Prisco Paraíso | 10/03/2019

Kassab confirma mudança no PSD-SC
Diretamente de Madri, o presidente nacional do PSD, ex-ministro Gilberto Kassab, praticamente confirmou aquilo que o blog e as colunas assinadas pelo blogueiro já publicaram quase um mês atrás: o ex-governador Raimundo Colombo vai assumir o comando do PSD estadual. Veja no https://www.blogdoprisco.com.br/colombo-presidente/.Segundo Kassab, até julho vão ser mudados diretórios e executivas do partido em Estados onde o PSD não foi bem nas eleições. Ora, esse não é o caso dos pessedistas de Santa Catarina. A legenda foi para o segundo turno. Deixou o MDB de fora e enfrentou o candidato da onda Bolsonaro que, devido ao contexto político, provavelmente venceria qualquer adversário. Isso é resultado ruim? No comparativo pessoal, Gelson Merisio fez mais de um milhão de votos. Estadualizou o nome. Raimundo Colombo, no entanto, ficou em quarto lugar na disputa ao Senado. Isso depois de dois mandatos consecutivos de governador! Não chegou a conquistar um milhão de votos!

Dois pesos
Esse posicionamento de Kassab é uma incoerência em relação à realidade catarinense. O presidente nacional declarou que será feita uma composição entre as principais lideranças. É a senha para informar que Merisio não deve ser reconduzido ao comando partidário. Nos bastidores, já está acertada a ascensão de Colombo ao posto. Mesmo com o ex-governador tendo sofrido uma derrota bem mais pesada do que o próprio Merisio.

Laços de amizade
Na verdade, todo esse movimento ocorre pela influência que têm Jorge Konder Bornhausen e o próprio Colombo junto a Gilberto Kassab. Então, numa hora dessas se é para tirar o partido de Gelson Merisio, não dá pra entender o porquê de entregar o leme a Colombo, que saiu da eleição bem menor do que entrou. Quem tem que dar as coordenadas é o presidente da Assembleia, Júlio Garcia. É o principal líder do PSD hoje. Como preside um poder, Garcia poderia interceder em favor de dois nomes em ascensão e que representam novidade, podendo ser guindados à presidência: os deputados Ricardo Guidi, federal, e Milton Hobus, estadual.

Desembarque
É o cenário “perfeito” para Gelson Merisio cair fora do PSD. Resta saber se ele vai para o PP e quem irá com ele. O deputado estadual Kennedy Nunes já sinalizou que vai com Merisio a um novo projeto. O parlamentar quer ser candidato a prefeito de Joinville e provavelmente ficará sem espaço no PSD. Além dele, o partido tem o deputado federal Darci de Matos, que deve ficar com Júlio Garcia e disputar pelo PSD. Kennedy concorreria pela nova legenda do grupo de Merisio.

Exemplos
Agora fica uma nova incógnita. Divulgou-se que Merisio estava se estabelecendo em Joinville para escolher um empresário com vistas ao pleito municipal de 2020. Só que o time já tem Kennedy bem posicionado no tabuleiro. Fica a pergunta, o que o ainda presidente do PSD estadual vai fazer em terras joinvilenses? Se vai trabalhar ali pensando em 2022, dentro do raciocínio de que a cidade do Norte tem o maio colégio eleitoral do Estado para tentar repetir o que fez Luiz Henrique da Silveira em 2002, é de bom alvitre avaliar muito bem a estratégia.

Raízes em Joinvile
LHS abriu grande vantagem sobre Esperidião Amin na primeira eleição estadual do século 21. O que lhe garantiu a histórica vitória sobre o rival. Só que Luiz Henrique já tinha quase 40 anos de militância política em Joinville, com vários mandatos de deputado e prefeito. Sua expressiva votação em 2002 ocorreu ao natural. Seis anos depois, o MDB de LHS tentou voltou ao poder no município. O nome escolhido foi do ex-deputado federal Mauro Mariani, que foi prefeito de Rio Negrinho duas vezes e transferiu o título para Joinville.