Por: Cláudio Prisco Paraíso | 29/01/2019

A tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, tem um forte componente político. Da política do descaso, do discurso que não se confirma na prática, do desprezo pela vida. Ela era anunciada. Sobretudo depois do que aconteceu em Mariana, em 2015. Mais de três anos depois, e o mar de lama voltou a envergonhar o Brasil.

Israel mandou tropas. Muito bom. Santa Catarina, para alegria do governador, preparou um grupo de Bombeiros, que está pronto para ir à Minas se assim for preciso. Maravilha.

Mas e os responsáveis por tantas mortes e destruição? Serão conhecidos desta vez? Gente que deveria ter tomado providências e não o fez? Vão aparecer?

Estas são apenas algumas incógnitas. E os políticos? E as leis ambientais? E as leis Trabalhistas, penais? Serão aplicadas? Ou lei ambiental, por exemplo, só vale para quem tira a vida de um sabiá? Onde estavam os fiscais, os ativistas – sempre tão enfáticos – , a imprensa, as redes sociais antes do absurdo? Consta que há mais de 40 barragens em Minas em situação suspeita. Espera-se, desta vez, diferentemente de 2015, muita rigidez nas punições.

A Vale, empresa (i) responsável pelas barragens, costuma ser amiga dos reis. Foi bem amiga dos reis e rainhas anteriores. Agora, no mínimo, urgem ações preventivas para evitar que a tragédia de Brumadinho continue sendo o Brasil da vergonha!

Regalia
Depois do firme posicionamento da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (Acic), defendendo firmemente o fim do auxílio-mudança para deputados e senadores, a associação empresarial de Joinville também se manifestou. E entregará um documento aos parlamentares de SC.

Escracho
O benefício foi criado em 2014 e tem valor de R$ 33,7 mil. “No momento no qual o país luta para retomar a economia e os empreendedores para gerar empregos, ver nossos representantes se prestarem a receber a regalia vai contra os princípios da boa política. A ACIJ acredita que os deputados da região Norte do Estado irão se recusar a receber o valor e, caso a regalia tenha sido paga, conclamamos a consciência do ressarcimento aos cofres”, assinala o presidente da Acij, João Joaquim Martinelli.

Oposição
Deputados Kennedy Nunes, reeleito, e Ivan Naatz, eleito, começam a se destacar como oposicionistas convictos. A conferir como vão se portar depois da posse, na sexta-feira.

Dezena
Poucas antes da posse da nova legislatura na Alesc, Moisés da Silva pode contar com o apoio irrestrito, aquilo que se chama de base parlamentar, de uns 10 deputados. É bem provável que o governador perceba ainda em fevereiro que o percentual de votos e as redes sociais não serão suficientes para governar como deseja.

Seriedade
O que o Brasil precisa na atual conjuntura é de autoridades que levem seu cargos a sério. Não dá pra aceitar que, em nome de uma ideologia que nunca funcionou em lugar algum, um deputado federal torne-se um “exilado” artificial, alegando questões de segurança. Importante lembrar que nos governos apoiados por ele, a violência só cresceu, chegando a absurdo 63 mil assassinatos em 2018. Fugir agora, Jean Willys, é um ato de extrema covardia pessoal e política.