Por: Carmen Marangoni | 06/02/2019

Quando mudei da casa onde vivia para um apartamento, não consegui ficar com o meu cachorrinho. Ele estava há pouco tempo comigo e mesmo assim foi difícil. Tinha sido adotado. Era um vira-lata que já veio batizado: Amoroso.

Fazia jus ao nome. Fiquei muito nervosa com esta mudança e não achava justo que ele ficasse sozinho e fechado num apartamento. Mas o que eu faria com ele? O óbvio! Depois de muito pensar e tomar de fato a decisão de doar, falei com muitas pessoas da minha confiança para saber se alguém queria ficar com ele. Não. Ninguém tinha interesse.

Não é sempre que encontramos alguém disposto a adotar um cãozinho, assim como eu tinha feito um tempo antes, né? Depois liguei para a Apad. Mas daí, é claro, entendi que a Apad não se presta a este serviço. Pelo menos foi o que me disseram. A gente pensa em tudo nesta hora. E volta a pensar no que parece óbvio se não fosse apenas desespero: na casa da mãe. Mas não, a minha mãe já tinha um cãozinho. Fiquei apavorada. As horas pareciam uma eternidade.

E o Amoroso me olhava querendo entender o que estava acontecendo. Eu não conseguia explicar. Até que a Isabel Caetano me indicou a Vera Bonamente. Sim, a Vera, a mesma que eu já tinha conhecido por conta de uma reportagem na Rba. A Vera me disse que ficaria com ele um tempo. E foi assim. Mas o tempo foi se esticando e eu não consegui encontrar outra solução que não fosse deixá-lo lá. Não é uma situação maravilhosa, mas sei que ele está bem cuidado. Mais do que isso. Que ele recebe amor. E se hoje escrevo é porque senti na pele a péssima sensação de não saber o que fazer quando não se pode mais ficar com o pet. E este pavor foi seguido de um alívio enorme ao encontrar a Vera e a amorosidade dela. E o pior de tudo é que sempre fui um pouco radical em relação às pessoas que tem o quintal cheio de cachorros. Até precisar ser socorrida, né? Até observar, como foi o caso agora, o amor que um animalzinho trouxe para os lares de dois amigos que acabaram de adotar um cãozinho. É como se eles estivessem acompanhados de uma novidade que ensina a cuidar. E foi isso também que me fez lembrar da Vera e do trabalho dela. Mais do que isso. Da necessidade de ajudarmos quem presta um auxílio tão importante numa hora de tanta emergência. Ela tem 27 cães sob seus cuidados ali no Bairro Taboão, na conhecida Sapolândia, onde vive. Ela tem todos sob atenção extrema. É tudo muito limpo e organizado. Mas nada cai do céu. E esse cuidado custa grana.

Porque estou falando tudo isso? Porque às vezes a gente procura alguém ou alguma causa para sermos voluntários e até não encontramos, né? Pois bem, a Vera está aí. Ela não pede, apenas precisa. E não é para ela. É para pessoas como eu que ela acaba trabalhando, mas não é nem por mim, muito menos por ela, é por conta deste amor que ela tem pelos animais. Quem estiver neste momento procurando um animalzinho para adorar, já sabe a quem recorrer.

É diferente do que apenas deixar lá, né? E quem quiser ou puder ajudar, pode ser com ração, pode ser com valor em dinheiro, pode ser como der, procura ela. Ajude. Eu ajudo sempre e da forma como posso. Ela e todos os amorosos bichinhos que agora vivem na casa dela precisam desta ajuda. Agradecem. E quem, sabe, estão mesmo à sua espera. Ah, você pode falar com a Vera pelo Facebook. Ou então pelo fone (47) 999561718. Mas tem que ligar, porque ela não tem WhatsApp, tá?