Por: Carmen Marangoni | 26/04/2019

Quando é que nasce uma parceria? Sim, dois ou mais amigos, sócios, afins, – não importa – que se juntam para fazer alguma coisa? Não precisa ser o mesmo peso e a mesma medida. Cada um pode contribuir com o que tem, mas pelo mesmo objetivo. Que momento é esse? Acho que é quando nasce, também, uma identificação. Ou um acreditar profundo no resultado ou na potência que essa coisa em comum pode significar. No último domingo pude assistir na plateia a um desses resultados. Era a pré estreia do novo espetáculo da Trip Teatro, aqui de Rio do Sul. Foram mais de dez anos de pesquisa. Tinha bonecos, é claro. E tinha o Willian e o povo dele. Que é um baita povo, diga-se. E não eram quaisquer bonecos. Eram bonecos que já andaram o mundo, que atravessaram o mar para serem os protagonistas. Porque o espetáculo conta com bonecos de acervo original do início do século XX, cedidos pelo Museu Casa de Los Títeres, da Espanha. Eles foram doados pelas mãos de Paco Parício, um artista espanhol que dirige a peça e que tive o privilégio de entrevistar a alguns anos, aqui em Rio do Sul. Uma dessas pessoas que parecem ser ensolaradas. Até por que são. Mas, como ia dizendo, no último domingo a cortina do teatro se abriu para o novo espetáculo da Trip. Que é também um novo espetáculo para Rio do Sul. O nome é Kasperl e a Cerveja do Papa. O Teatro do Kasperl, popular e tradicional da Alemanha, veio na mala de imigrantes que, em Santa Catarina, apresentaram esta arte popular nas décadas de 50, 60 e 70. Neste espetáculo da Trip, que é muito atual, somos convidados a viajar para um mosteiro muito antigo, onde se produz a melhor cerveja daquela região. E a notícia da visita do Papa causa uma grande confusão. É engraçado. É crítico. É bom. Não preciso dizer mais. Não quero. Vim até aqui com essa conversa porque imagino que a parceria do Willian com o Paco é de uma gentileza impressionante ao mundo. E que poucas pessoas tem coragem de seguir os sonhos com tanta veemência e competência. Assim, as duas coisas unidas e até rimando. O Willian tem essa capacidade. E ele faz isso num tom de doação que impressiona. Ele respira o que faz. E é por isso que a gente sente de um jeito diferente. E ele tem muito talento. E é por isso que a gente precisa reconhecer e comparecer. Não é todo dia que nasce um bom artista. Não é todo dia que temos motivos para aplaudir parcerias que suavizam o mundo. Neste fim de semana, sim, vai ser possível. Não vai ter custo. Não porque não tenha, mas porque não será cobrado, até porque a montagem foi patrocinada pelo Edital Elisabete Anderle 2017. O que se quer é a presença. O que se quer é um pouquinho de tempo. O que se tem para dar é tão maior do que se consegue imaginar antes de estar lá na platéia. Por isso, vá. Apenas isso. Até por que… a cultura é bem mais do que isso. São três apresentações gratuitas nos dias 27 e 30 de abril e 1º de maio, às 20h, no Teatro Embaixo da Ponte no Parque Unidavi. A classificação indicativa é de 16 anos, mas menores podem assistir desde que acompanhados por pais ou responsáveis. Ah, claro, e ainda é de graça.