Por: Carmen Marangoni | 02/12/2018

Nesta semana vi uma professora engasgar. E o choro dela comoveu a todos. Era de alegria esse choro. Era por conta do trabalho que a gente tinha acabado de fazer. Era porque ela se sentia maravilhada em poder estar ali. Era na Segunda Noite das Profissões do Colégio que ela leciona, o Dr. Hermann Blumenau, em Trombudo Central. Nós estávamos ali, para ter uma conversa séria, mas também de muito carinho, com os alunos que estão quase dizendo adeus ao Ensino Médio. Estudantes que estão começando a espiar o mercado de trabalho. No célebre e temeroso momento de fazer uma das mais importantes escolhas profissionais. A primeira, talvez, delas. A escolha do curso que irão cursar. E ao ver aquela cena, e compartilhar também daquela alegria, me dei conta que a gente chora mesmo ao trabalhar. Este choro que não é copioso, mas que é difícil de ser controlado, que é o de emoção. Do trabalho sendo feito. Do jeito como gostaríamos. Melhor ainda do que poderíamos esperar. O outro choro, que nem sempre é externalizado, é de quando o trabalho está nos adoecendo. É um choro calado. Demorado. Dolorido. E também pensei que todos nós que estávamos ali, dizíamos para aqueles alunos, sedentos por saber o que tínhamos por dizer, que esta escolha não pode ser moldada no dinheiro. Que o dinheiro é consequência. Que na vida, ao desempenharmos o que aprendemos com disciplina e determinação, se colhe tudo aquilo que se planta. E que esta escolha pode ser modificada ao longo do percurso. Aperfeiçoada. Que os rumos do trabalho nos levam por caminhos que nem tínhamos imaginado.

Eu, por exemplo, jamais pensei que fosse ter uma experiência de trabalho em televisão. Muitos de nós começamos a carreira de uma forma bem diferente da função, cargo e local de trabalho que estamos hoje. Porque aprendemos a desempenhar papéis diferentes. Que se encaixam. Que foram aparecendo. Trabalhar é uma oportunidade maravilhosa de a gente se aperfeiçoar como gente. De aprender com o outro. O colega. O chefe. O cliente. Nesta semana o nosso encontro foi bonito. Foi emocionante. E também serviu para pensar se colocamos mesmo em prática tudo aquilo que falamos para aqueles alunos lá, de olhos e ouvidos tão atentos. Sempre é tempo. Ao acordar pelas manhãs, penso eu, que sempre dá tempo de moldar a vida para que ela seja leve do jeito como deve ser. Que as escolhas deles, as nossas, as de todo o mundo, sejam a partir daquilo que sentimos. É isso que desejei ao olhar para aqueles jovens. Falei aquilo que gostaria de ter ouvido quando estive no lugar deles. É isso também que desejei ao abrir os olhos nesta manhã. Que eu possa me conduzir pela vida que passa pela carreira ou pelo trabalho fazendo aquilo que acredito e daquilo que faço o melhor que posso. Com entusiasmo legítimo pelo que é feito. É disso que não quero esquecer ao ir dormir ou nos momentos em que as dificuldades parecem tomar conta do dia. Da rotina. Porque o certo é que elas sempre vão estar por perto, mas o grande lance talvez seja entender que elas não servem para nos limitar, mas sim para testar as nossas forças. Que, diga-se, quando usadas em conformidade com os nossos talentos e aptidões, nos tornam gigantes. E gigantes que se tornam grandes também em felicidade e merecimento. Que bom compartilhar de momentos assim. De engasgar. De emoção.

Bom descanso e até segunda-feira. Que ela seja a melhor primeira segunda-feira do último mês do ano que você já teve. Sabe de quem vai depender, né? Então, simbora.