Por: diario | 1 mês atrás

O Alto Vale registrou novamente um recuo de crescimento em 2018 segundo apontou o Índice de Performance Econômica de Santa Catarina (Iper-SC) divulgado nesta semana pela a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc). O levantamento mostra que na região o número negativo foi de -1,18%, o pior desempenho de todo o estado.

O índice é calculado analisando principalmente 13 variáveis de atividade econômica relevantes que possuem relação direta com a movimentação econômica das regiões do estado, como movimentação bancária, consumo de energia, movimentação do comércio exterior, movimentação do emprego, e movimentação da frota de veículos.

Para o presidente da Associação Empresarial de Rio do Sul, a maior cidade do Alto Vale, Eduardo Schroeder, todas as variáveis levadas em consideração no Iper precisam ser analisadas, porque alguns setores tiveram sim crescimento, mas a queda nas exportações acabou pesando no resultado final. “Se formos olhar uma análise ao longo do tempo e com a composição de todos esses critérios pode ser que esse índice não seja tão intenso porque ainda estamos evoluindo então não podemos dizer que moramos num buraco e que não estamos crescendo. O problema é que ficamos um tanto isolados do Estado como no passado era o Meio Oeste e Extremo Oeste que conseguiram evoluir”.

Ele reconheceu no entanto, que problemas com infraestrutura tem afastado as possibilidades de crescimento na região como é o caso da situação precária da BR-470 e citou ainda que falta coesão na bancada catarinense em Brasília, o que afasta a vinda recursos. “Tenho falado nos últimos anos é que ficamos na dependência de conseguir verba junto ao Ministério e ao Congresso para que o DNIT [Departamento Nacional e Infraestrutura e Transportes] possa executar as ações de duplicação e até mesmo manutenção e no Congresso a bancada catarinense não é coesa sobre esse assunto.

Os deputados no Norte dizem que a BR-280 a prioridade, o do Norte diz que é a BR-282 e a turma do Sul diz que é a BR-101, por isso precisamos nos unir mais, todas as entidades e deputados, para ter mais força”.

O secretário adjunto de Estado do Desenvolvimento Econômico e Sustentável, Amândio João da Silva Junior, afirmou que o resultado é o reflexo da falta de infraestrutura e dos problemas com cheias e é preciso partir para alternativas urgentes para resolver de vez a questão. “Não adianta a gente ficar esperando para se movimentar após a duplicação de rodovias ou término de obras das cheias. Precisamos encontrar alternativas nessa nova economia criativa e tenho convicção de que a transformação desses índices negativos para positivos é levar o Centro de Inovação para Rio do Sul e outras cidades do Alto Vale para que tenhamos menos dependência em relação à infraestrutura e que iniciemos um novo modelo baseado na economia criativa, em empresas de tecnologia. Podemos vender produtos e serviços para o mundo inteiro independente de infraestrutura”.

Ele comentou também que o Governo do Estado estuda parcerias nesse momento para viabilizar o Centro de Inovação sem ter que construir prédios. “Queremos parceria com outra entidade que já tenha a construção e o Governo entra com a aplicação de recursos para fazer esses ecossistema funcionar”, conclui.

Variação do PIB no Alto Vale

Já a variação do Produto Interno Bruto (PIB) da região foi estimada em – 0,51% enquanto que a Facisc prevê um crescimento do PIB catarinense de 3,24% em 2018. Além do Alto Vale, as regiões que menos tiveram crescimento foram o Planalto Norte com -0,40% e Oeste com -0,12% respectivamente. “O PIB divulgado pelo IBGE tem uma defasagem de pelo menos dois anos quando se fala em informações regionais, que foi um dos motivadores para a construção do Iper, com o índice podemos acompanhar de maneira mais atualizada o que ocorre em termos de movimento econômico de forma atual e regionalizada”, explica o economista da Federação, Leonardo Alonso Rodrigues.

Números do estado

Se o Alto Vale apresentou números negativos, por outro lado, Santa Catarina de forma geral tem muito a comemorar. O Iper apontou ainda que pelo segundo ano consecutivo o estado cresceu. Em 2018 o acréscimo foi de 7,1%, mostrou o levantamento da Facisc. Entre as 13 variáveis analisadas, nove tiveram números positivos, principalmente às relacionadas ao comércio exterior (exportações 28,04% e importações 23,19%). Já o PIB catarinense tem crescimento estimado de 3,24%.

Helena Marquardt