Por: diario | 25/07/2017

Não contente com a arrecadação de uma das maiores cargas tributárias do mundo, o governo de Michel Temer aumentou a cobrança de PIS/Cofins para combustíveis no final da última semana. Segundo o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, a medida deve amenizar mais um ano de rombos astronômicos nas contas públicas. A receita extra deve extrapolar os R$ 10 bilhões em 2017, montante que se juntará aos mais de R$ 1,2 trilhões em tributos arrecadados até ontem (24) no Brasil.

Em Rio do Sul, a corrida aos postos de combustíveis na sexta-feira (21), um dia após o anúncio do aumento, foi grande. A cidade que chegou a comercializar a gasolina por R$ 2,99 no início de julho, agora está vendendo o produto a R$ 3,69, uma alta considerável para os motoristas que dependem de veículos para trabalhar, estudar e realizar suas tarefas diárias, como conta o comerciante Jonas Krause.“Eu uso o carro diariamente para trabalhar e levar meus filhos para a escola. Andar de ônibus no preço abusivo que cobram em Rio do Sul é impossível, mas agora com esse preço absurdo da gasolina, está difícil também”, reclama o motorista.

O Jornal Diário do Alto Vale chegou a publicar uma matéria no dia 18 deste mês sobre o custo benefício de se utilizar carros, motocicletas ou ônibus após o aumento da passagem do transporte coletivo na capital do Alto Vale, ouvindo especialistas sobre o assunto. Anteriormente ao aumento da gasolina, era possível andar, em média, 16 quilômetros utilizando um carro popular com o mesmo valor pago na passagem de ônibus, hoje, essa distância não ultrapassaria 13 quilômetros.

O comerciante diz que encheu o tanque do carro para não sofrer com o aumento, pelo menos nessa semana, mas diz que espera um aumento nas despesas mensais em torno de R$ 120. “Como abasteço todo início de semana, acho que vou gastar uns R$ 30 a mais por semana pra encher o tanque. Dinheiro que eu poderia estar utilizando com outras contas. É mais um gasto que vamos ter que aprender a lidar”, lamenta Krause.
Segundo um gerente de posto de combustível da região central de Rio do Sul, o comerciante não foi o único a correr para abastecer o carro antes da elevação brusca dos combustíveis. “Quando começaram a divulgar essa elevação no preço [dos combustíveis] a gente já sentiu o movimento subir. Ninguém quer pagar mais caro né?! Podendo economizar as pessoas correm para o posto. Isso acontece todas as vezes que sobe o preço”, diz o gerente.

A alta ainda deve refletir em outros produtos que o consumidor compra diariamente, pois a produção agrícola e industrial terá que repassar o prejuízo com transporte no preço final de seus artigos. “O pessoal das empresas já vêm reclamando com a gente do preço, porque pra eles é abastecer todo santo dia. Pesa mesmo, pra gente também, porque ai eles começam a economizar no transporte. O aumento não é vantajoso pra ninguém”, afirma o gerente.

Corte da gastos

O ministro da Fazenda ainda reforça que o aumento do PIS/Cofins não é sua única estratégia para recuperar o país. Outros cortes de gastos devem representar uma economia de R$ 5,9 bilhões este ano, conforme nota divulgada por Meirelles.

“Do lado das despesas, serão contingenciados, adicionalmente, R$ 5,9 bilhões dos gastos previstos no Orçamento de 2017. Esse valor deverá ser compensado por receitas extraordinárias que ocorrerão ainda este ano”, informou a nota.

Airton Ramos