Por: diario | 03/12/2019

 

Jorge Matias

 

O preço da carne bovina disparou nas últimas semanas. Conforme informações da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em menos de três meses, alguns cortes registraram alta acima de 50%, como é o caso do contrafilé e esse aumento tem impacto direto na economia local já que os consumidores acabam optando por outros cortes e tipos de carnes.

 

Ângelo Salvador, tem 44 anos e é proprietário de um restaurante. Ele afirma que não repassou a alta da carne para o preço do buffet para não perder clientes. “Estamos tentando alternativas como o uso de outros cortes de carne, que são mais baratos, ou mesmo outros tipos de carne como a suína e o frango. Para repassar o preço diretamente ao buffet, teríamos que aumentar R$ 3, no mínimo”, completou.

 

Essa expressiva valorização é motivada pela alta da arroba do boi gordo, que atingiu os maiores valores da história, com sucessivos recordes. Para se ter uma base, o preço saiu de R$ 155,70 no início de setembro e atingiu R$ 231 nesta semana, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

 

Além do consumidor final, os comerciantes também estão tendo dificuldade em lidar com a alta da carne bovina. Segundo o proprietário de um açougue de Rio do Sul, que preferiu não se identificar, a dificuldade que o consumidor encontra com relação ao preço elevado, reflete diretamente nas vendas. “Nossa margem de lucro também fica sacrificada nesse momento, porque o comerciante não consegue acompanhar o impacto inicial”, afirmou.

 

Ainda de acordo com o proprietário do açougue, o preço da carne já não recebia um reajuste há três anos, o que segundo ele, favoreceu essa alta repentina. “Assim como o preço da carne suína ou de frango, a carne bovina não vem recebendo reajustes anuais. E quando o reajuste é feito em um intervalo maior de tempo, ele tende a ser significativo e impactar toda a cadeia produtiva”, finaliza.

 

Motivos para a elevação do preço

 

Um dos motivos que explicam a alta da carne bovina ao consumidor final são as exportações aquecidas, principalmente para a China. Isso ocorre porque o país asiático enfrenta um grave surto de peste suína africana. A doença, que é altamente contagiosa em porcos e possui taxa de até 100% de mortalidade, já fez os criadores chineses abaterem cerca de 40% de seu rebanho suíno, segundo o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China. Com isso, o país tem aumentado a procura por outros tipos de carnes do Brasil.

 

Outro fator tem relação com as festa de final de ano. Aqui no Brasil, apesar do desemprego e da economia ainda estarem em ritmo de recuperação, as festas de fim de ano normalmente aquecem as vendas de carne. Nessa época, é normal ter um aumento na comercialização do produto, quando os atacadistas se abastecem, à espera de aumento na procura por carne. O pagamento do 13º salário à população também ajuda a movimentar esse mercado.