Por: diario | 04/08/2016

Albanir Junior

É numa construção simples, mas aconchegante no início da rua Humaitá, a cerca de 100 metros do Hospital Regional Alto Vale, que funciona a Casa de Apoio que fica à disposição de familiares de pacientes que estão internados da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A moradia que tem capacidade para atender até 12 pessoas simultaneamente é mantida pela Associação Lar Acolhedor (ALA). Hoje a estrutura conta com três dormitórios, sala, cozinha, banheiro coletivo e uma lavanderia, todos cômodos bem equipados que conseguem atender a demanda atual, mas a grande preocupação da Associação é com aumento da procura assim que o setor de Oncologia do hospital entrar em funcionamento.

Uma das fundadoras e atual vice-presidente da ALA, Bernadete Sperandio, estima que o número de vagas da Casa de Apoio vai multiplicar quase quatro vezes. “Vai precisar aumentar a quantidade de leitos, hoje a gente tem 12, com certeza a gente vai precisar em torno de 40 e não temos esse local para abrigar essas pessoas e essa é uma grande preocupação da Associação” afirmou.

Ela conta que a Associação planeja construir uma sede própria, mas a grande dificuldade é conseguir a doação de um terreno disponível próximo ao hospital que fica em uma área nobre de Rio do Sul. A presidente da ALA, Juvelina Kühl explica que a necessidade de encontrar um espaço maior e perto, aumentou justamente porque pacientes em tratamento de câncer costumam ficar muito cansados após as seções de tratamento. “A gente viu a obrigação de precisar pedir ajuda para poder aumentar o espaço, e oferecer a casa também para essas pessoas, já que os pacientes que vão fazer o tratamento são pessoas que as vezes estão muito debilitadas e as vezes não tem como retornar logo para as suas casas”, comentou.

Bernadete explica que a necessidade de ser um local próximo está fundamentada justamente nos horários das visitas que eventualmente podem atrasar, além de dispensar o uso de transporte. “Às vezes tem pessoas que saem de lá quase às 22h, então não tem como mandar uma pessoa desconhecida de uma cidade distante para um lugar longe do hospital. Tem que ser próximo”.

A planta do que seria a nova Casa de Apoio foi projetada por uma arquiteta voluntária e que já está pronta há cerca de um ano. No projeto prevê 10 dormitórios divididos em ala masculina e feminina, dois banheiros, sala de estar, lavanderia e cozinha. A saída estudada pela Associação era construir um segundo piso no estacionamento do próprio Hospital Regional, assim a vaga dos carros ficaria coberta, mas a alternativa foi negada pela direção do hospital. “Dizem que não existe a possibilidade, mas a gente gostaria de insistir nisso que eu acho que de momento é a única saída que a gente vê, porque as pessoas que vão utilizar tem a ver com o hospital, então a gente vai construir, pode ser do hospital, porque a única função que vai ter é acolher esses pacientes”, declarou a vice-presidente da ALA.

No caso de conseguir viabilizar a construção de um local próprio com 40 leitos, a ALA já calcula que os custos vão aumentar, devido a necessidade de contratar profissionais para a limpeza, além de assistente social e nutricionista para acompanhar os familiares e pacientes que vão ficar alojados na Casa de Apoio. “Só com os colaboradores que a gente tem hoje não temos condições da gente manter, a gente pede para quem tiver interesse, condições de nos auxiliar que existisse uma maneira de a gente acolher essas pessoas, porque se a Oncologia ficar pronta, as pessoas começarem a vir pra cá fazer o tratamento onde elas vão ficar?”, Questionou.

Procurada, a assessoria de comunicação do Hospital Regional Alto Vale, informou que desconhece a negativa da diretoria e informou que existe um projeto para ampliar as alas através da construção de um novo espaço ocupado hoje pelo estacionamento.

Atendimento e estrutura

A Casa de apoio atende as pessoas que vem de outros municípios do Alto Vale e de fora da região e que não tem condições financeiras de arcar com a hospedagem. A moradia fica disponível 24 horas por dia, mas os encaminhamentos são feitos por uma assistente social, segundo Juvelina. “As pessoas que vem aqui para esta casa, elas tem acompanhado os parentes que tem feito cirurgia ou que estão esperando uma consulta de um dia para o outro e que não tem recursos para procurar outro espaço para ficar, já que a nossa casa oferece esse espaço de graça”, explicou.

Os encaminhamentos são feitos pela assistente social Renata Bennert, que trabalha no hospital. Segundo ela, já é possível ter uma noção pelo prontuário do paciente e também com a entrevista feita. “Esse familiar, se não mora perto do hospital, ou municípios próximos e não tem para onde ir, a gente conversa, faz o encaminhamento e ele vem para a Casa de Apoio, aqui, ele pode ficar por tempo indeterminado”, declarou.

Renata revela que o tempo máximo que um familiar ficou hospedado no local foi meio ano. “Teve uma família de Presidente Nereu, a filha estava internada, houve troca entre a família, mas ficaram por um período de seis meses aqui, já teve também casos de três meses, dois meses”, revelou.

A Casa de Apoio fornece o dormitório e o banheiro para higiene, já a alimentação fica por conta dos familiares que podem usar toda a estrutura da cozinha para preparar as refeições. “Como para almoçar fora sai muito caro, a gente pede para que cada um compre alguma coisa, então eles fazem uma escala entre eles, fazem uma vaquinha para a refeição e aí todos comem juntos, acaba saindo mais em conta”, comentou a assistente social.

Manter a Casa de Apoio requer um custo médio mensal de R$ 2.500,00. A ALA não recebe nenhuma isenção de impostos, nem mesmo de IPTU. Para manter o serviço disponível a Associação, depende de doações segundo a vice-presidente Bernadete. “A gente está com pessoas comuns e algumas empresas que nos ajudam e fica cada vez mais difícil porque a gente tem que manter o aluguel, água, energia os custos da casa quando estraga alguma coisa. Um ajuda com 20, 30, 100 o valor que é possível para casa um, é dessa maneira que a gente se mantém hoje”. Quem puder ajudar pode fazer doações para a Associação Lar Acolhedor através de depósitos na Viacredi, Agência: 0115 Conta Corrente 14317-0.