Por: diario | 29/11/2019

 

Helena Marquardt

 

Já imaginou chegar ao nono mês de gravidez e descobrir as vésperas do parto que a cesárea, que deveria ser feita por recomendação médica, não poderá ser realizada porque a empresa que vendeu os planos de saúde não tem feito o pagamento aos hospitais e as unidades se negam a prestar o atendimento através do convênio? Essa é apenas uma das situações enfrentadas pelos usuários da Agemed no Alto Vale que não tem conseguido acesso aos serviços de saúde no momento em que mais precisam.

 

O caso aconteceu com uma gestante de Rio do Sul e a mãe dela relatou o ocorrido. A empresária, Juliana Maria Caio, conta que pagava os planos de saúde da Agemed há mais de quatro anos, e quando a filha tentou marcar a cesárea o atendimento foi negado. “Foi uma luta para tentar conseguir os nossos direitos. Eles nos ligaram e falaram que iriam pagar, que fariam um depósito na conta do hospital e do médico, mas acabamos recebendo a notícia de que a cirurgia não seria feita porque a Agemed deu um calote. Me senti lesada e humilhada”, comenta.

 

Ela conta que tentando exigir o procedimento acabou tendo contato com diversos outros usuários que também relataram situações parecidas. “Me coloco no lugar das pessoas e me emociono porque ouvi muitas histórias tristes de pessoas com cirurgias gravíssimas marcadas e que chegaram no hospital e não puderam fazer, tiveram que entrar na fila do SUS que sempre demora”, comenta.

 

Com poucas horas de prazo, a família diz que se desdobrou para conseguir os R$ 9 mil necessários para que a cesárea fosse realizada de forma particular na noite desta quinta-feira (28), e que menos de duas horas antes da gestante entrar na sala de cirurgia o depósito foi feito na conta do HRAV, mas a situação transformou um momento alegre e esperado em um verdadeiro pesadelo.

 

Juliana comenta ainda que depois do ocorrido também ligou para a Agência Nacional de Saúde (ANS) para denunciar o caso. “A ANS, que deveria fiscalizar as empresas de plano de saúde, nos proteger e proibir essa empresa de funcionar, mas não. A empresa nos cobra as mensalidades todo mês, sempre pagamos todos os boletos certinho e quando precisamos ficamos sabendo que não fizeram o pagamento para o hospital e temos que passar por isso”, lamenta.

 

A indignação da empresária, é o retrato da realidade enfrentada por centenas de usuários da Agemed no Alto Vale e em todo o estado. A empresa vem passando por dificuldades financeiras há algum tempo e os primeiros problemas foram relatados já em 2018, mas acabaram se agravando. “A gente quer que seja resolvido ou eles fecham as portas e param de funcionar, de pegar o dinheiro das pessoas, ou que a justiça seja feita”, cobrou Juliana.

 

HRAV confirma dívida e suspende atendimentos

 

Em nota, a Assessoria de Imprensa do HRAV informou que desde o dia 25 de outubro, o Hospital Regional de Rio do Sul suspendeu os atendimentos através do convênio da Agemed. O motivo é a falta de pagamento pelos serviços prestados. Os segurados estão sendo orientados no momento que buscam atendimento. A unidade informou ainda que o atendimento do Pronto-Socorro continua normalmente, mas com a opção exclusiva através do SUS e que a marcação dos novos exames está igualmente suspensa.

 

O que diz a Agemed?

 

A reportagem tentou contato por diversas formas com a Agemed em todos os telefones informados pelo site, mas não teve sucesso. Já a Assessoria de Imprensa disse que a resposta aos questionamentos em relação ao atraso dos pagamentos dependia de um posicionamento de outros setores e que era necessário encaminhar um e-mail.

 

Em resposta, a Assessoria afirmou que a Agemed passa atualmente por uma reestruturação profunda, a fim de tornar o seu modelo de negócio sustentável por longo prazo. Nesse sentido, está conduzindo a transição de modelo de relacionamento com a rede médica, o que vem ocasionando mudanças mais frequentes que o habitual na rede credenciada.

 

A empresa afirmou que continua garantindo a disponibilidade de todos os serviços contratados e pediu desculpas aos beneficiários pelos contratempos decorrentes dos ajustes no quadro de prestadores. A nota diz ainda que na nova fase, foi mantido uma rede de prestadores igualmente completa, porém menos numerosa. “Trata-se de uma medida amplamente adotada pelo Brasil e pelo mundo, à qual optamos para manter nossos planos financeiramente acessíveis, com atendimento qualificado e alto comprometimento com a saúde”, dizia o texto.

 

Caso os usuários tenham algum problema, a orientação dada pela empresa através da nota, é entrar em contato através da central de Atendimento pelo fone 0800 642 4044.