Por: diario | 26/06/2019

Num júri popular que durou quase 10 horas, Gilmar César de Lima, acusado de espancar e causar a morte do indígena de José Boiteux, Marcondes Namblá, no início do ano passado em Penha, foi condenado a 21 anos e quatro meses de prisão em regime fechado por homicídio qualificado. Ele foi julgado nesta terça-feira (25), no Fórum de Balneário Piçarras.

De acordo com um primo próximo de Namblá, Abraão Patté, a pena não traz a vida do indígena de volta, mas pelo menos conforta um pouco familiares e amigos que ainda sofrem com o crime. “Nada vai trazer a vida do Marcondes de volta, mas dá para aliviar um pouco a minha dor por ter perdido meu primo irmão e a de todos os familiares e professores que inclusive vieram acompanhar o julgamento”, afirmou.

Antes mesmo do júri começar, dezenas de indígenas de José Boiteux protestavam em frente ao Fórum e permaneceram no local até o fim do julgamento, que acabou por volta das 18h. Namblá era formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e atuava como professor na Terra Indígena Laklãnõ, mas quando foi atacado por Gilmar, passava uma temporada no Litoral vendendo picolés durante o verão para conseguir uma renda extra.

O advogado de defesa de Gilmar, Jeremias Felsky, comentou que ele mesmo já havia pedido a condenação do réu e o resultado já era esperado, mas achou a sentença exagerada. “A condenação por si só não causou surpresa para a defesa, tanto é que chegamos a pedir a condenação dele, mas no enquadramento de lesão corporal seguida de morte porque o índio morreu quase dois dias após e essa era uma tese que se encaixava perfeitamente, bastava o Conselho de Sentença reconhecer e aceitar, mas com relação a aplicação da pena posso dizer que achamos que foi exacerbada”, disse.

A defesa alegou ainda que vai recorrer da decisão. “Vamos apelar, não sobre o resultado como um todo, mas para pedir uma reforma na aplicação da pena”, completou Jeremias. Gilmar segue no Presídio Regional de Blumenau onde já estava preso preventivamente, mas agora cumprindo a sentença do júri.

Relembrando o caso

Na noite do dia 1º de janeiro de 2018 ele foi espancado por Gilmar, que na época confessou o crime e alegou que a vítima havia mexido com seu cachorro. O indígena de 38 anos morreu depois de dois dias internado no hospital e deixou a esposa e cinco filhos.
No inquérito, a Polícia Civil reuniu imagens de câmeras de segurança do local, onde o fato aconteceu. As imagens

 

Helena Marquardt