Por: diario | 13/07/2019

Os dias frios têm feito parte do cotidiano da população do Alto Vale nas últimas semanas. Para enfrentar a estação gelada, é dobrado o número de cobertores, de meias, luvas, toucas, e roupas mais quentes. Na casa, quando há possibilidade, o ar quente é utilizado e as lareiras e fogões a lenha também, para deixar o ambiente mais aconchegante. No entanto, o que muitas vezes passa despercebido pela população, é a situação dos moradores de rua, que não possuem abrigo, roupas ou cobertores para enfrentar o frio. Por este motivo, em Rio do Sul, a “Ação Inverno”, promovida pelo Centro de Referência Especializado para a População em Situação de Rua (Centro Pop), oferece acolhimento para cerca de oito pessoas nas noites geladas de inverno.

De acordo com a secretária da Assistência Social de Rio do Sul, Danielle Cristina Zanella, o projeto acontece nos meses de julho e agosto e tem o objetivo de oferecer pernoite e alimentação para as pessoas em situação de rua. “Eles continuam recebendo o atendimento no Centro Pop, que funciona todos os dias das 7h30 às 17h, e agora durante a Ação até às 19h. A gente oferece o jantar, cobertores e as roupas, onde todo dia é ofertado as trocas de roupas para serem lavadas”.

Danielle disse que durante o dia os atendimentos socioeducativos acontecem no Centro Pop, mas que a pernoite é oferecida na Obra Kolping, com dez vagas. “O Centro Pop tem em média 30 atendimentos por dia e no acolhimento são 10 vagas, mas a gente nunca preencheu todas ainda, o máximo de pessoas que foram dormir foram oito. Nunca tivemos uma procura maior que a oferta. A gente oferece várias oficinas socioeducativas com os educadores, como orientação quanto a documentos, encaminhamento, fotos para documentos, às vezes precisa fazer contato para outros municípios, fornecemos passagem quando o usuário tem um destino certo, como retornar para a casa, entre outras ações”.

As oficinas são semanais e toda semana é trabalhado com um tema diferente, como alimentação, higiene pessoal e relacionamento. “A gente elabora com eles também as questões de um novo projeto de vida, porque geralmente quem está na rua, perdeu a rotina, a vontade de lutar por alguma coisa e a gente faz as oficinas, eles também cultivam a horta, cuidam do jardim, ajudam na questão da manutenção e limpeza da unidade, para manter o local”.

Ela reforça que o Centro trabalha com plantão para acolher as pessoas em situação de rua, e que toda a população pode ajudar avisando o local onde essas pessoas são avistadas.  “Temos uma assistente social que acompanha o processo e o plantão, se alguém ver alguma pessoa que necessite de acolhimento, a gente se desloca até ela e oferece os serviços. Ela não pode estar alcoolizada e tem que estar em situação apropriada para ficar com os demais, se a pessoa não quiser se deslocar, a gente fornece as cobertas e colchões se for necessário”.

Além disso, há os casos de pessoas que passam o dia no Centro Pop, mas que não optam pela pernoite, sendo que os materiais são oferecidos à elas também. “Então aqueles que não querem ir para o acolhimento que fica na Obra Kolping, a gente oferece os cobertores e colchões também. Lá na Kolping são 10 vagas, só que todo trabalho é feito no Centro Pop, eles tomam banho, trocam de roupa, tomam café e jantam”, completou.

Para os que aceitam a pernoite, o próprio Centro faz o traslado até a Obra Kolping, e busca as pessoas no outro dia de manhã.

Danielle finalizou dizendo que além de acolher, o objetivo é de oportunizar também um novo sentido para a vida dessas pessoas. “Muitos deles têm novas possibilidades, como esse ano, que a gente conseguiu incluir quatro moradores de rua no Pead [Programa Emergencial de Auxílio Desemprego], então eles saíram das ruas e hoje estão trabalhando. Nós demos uma atenção especial para eles e encaminhamos também o tratamento para a dependência química com o Caps [Centro de Atenção Psicossocial].

No dia 26 de julho, será inaugurado a revitalização do Centro Pop. Foi realizado a reforma da unidade, com nova pintura, adaptação da cozinha para ter mais espaço para o almoço, aumento da área das oficinas, uma rampa de acesso para cadeirantes e uma calçada.

Elisiane Maciel