Por: diario | 12/11/2016

Sindréia Nunes

Em meio a faixas, cartazes e palavras de ordem, servidores públicos, estudantes e simpatizantes se manifestaram na manhã de sexta-feira (11), contra a intitulada “PEC das maldades”. O ato aconteceu na praça Ermembergo Pellizzetti, em Rio do Sul, mas durante todo o dia os organizadores promoveram ações. O movimento busca envolver toda a população do Alto Vale e novas manifestações devem acontecer.

O ato foi promovido pelo Fórum das Entidades dos Servidores e mobilizou principalmente servidores públicos que interromperam parcialmente o serviço. A principal bandeira dos manifestantes era contra o Projeto de Lei número 55 que está em tramitação no Senado – quando passou pelo Congresso Nacional a PEC estava identificada como 241. O
projeto visa congelar durante 20 anos os investimentos do Governo em várias áreas.

“Se a PEC for aprovada provavelmente não vai ter concurso público. Hoje em dia a gente vê tanto aqui no nosso Município quanto no Estado […] que os servidores estão se aposentando e o Governo não está colocando novos no lugar, está havendo a terceirização em diversas áreas”, fala a presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Rio do Sul e Região (Sinspurs), Marilene Back Espíndola.

A necessidade de serem feitos alguns ajustes na máquina pública é reconhecida pela presidente do sindicado, porém ela ressalta que essa mudança não pode afetar somente a classe trabalhadora, mas também os políticos e governantes.

Os participantes do ato também se mostraram contra a proposta da Reforma Previdenciária. “Hoje eles querem mexer na Previdência, mas esquecem de que os nossos senadores, os nossos deputados trabalham um mandato e se aposentam e com salários altíssimos, enquanto o povo brasileiro trabalha para chegar no final e ganhar uma aposentadoria que dá mal para sobreviver”, coloca Marilene.

Outra proposta do Governo Federal que foi questionada durante a manifestação é a reformulação do Ensino Médio. O estudante de 17 anos, Vinicius Darolt Montagna, está no terceiro ano e participou da manifestação. Para ele a estratégia do Governo de mudar a grade curricular é uma forma de tornar a sociedade uma massa de manobra. “A reforma tira algumas matérias como Sociologia e Filosofia. Mais de que contas e fórmulas a gente deve aprender a ser humano, temos que aprender a cidadania”.

A professora doutora Geovana Garcia Terra, dá aulas no Instituto Federal Catarinense em Rio do Sul e também esteve presente na manifestação de sexta-feira. Ela destaca a importância que os jovens têm ao participaram de ações como essas. “Nós mais adultos sempre estamos um pouco desiludidos, e os jovens visualizam um futuro enorme pela frente […] e eles têm a energia que talvez para nós já esteja um pouco apagada”, coloca.

Dia de mobilização

A manifestação na praça Ermembergo Pellizzetti iniciou às 9h e de acordo com Marilene o ato foi uma forma de dar voz aos manifestantes e de orientar quem passava pelo local sobre o PL 55 e outras medidas propostas pelo Governo.
No período da tarde foi realizado um Seminário, no salão da Igreja São José Operário, na rua XV de Novembro, onde os participantes puderam ter mais conhecimento sobre os efeitos das medidas do Governo. Ao final do evento, por volta das 17h, os participantes realizaram uma passeata que saiu do local da reunião e seguiu até a praça central.

A expectativa era que manifestantes do todo o Alto Vale participassem da programação de protestos durante todo o dia. “Quanto maior o nosso movimento, mais os nossos governantes vão ter a ciência de quanto o povo está indignado com esse tipo de corte que vem mexer realmente com o trabalhador”, finaliza Marilene.
Depois da manifestação desta sexta-feira o Fórum das Entidades dos Servidores deve se reunir para planejar a continuidade do movimento. Uma paralisação geral dos servidores públicos de Rio do Sul e região não está descartada, segundo a presidente do Sinspurs.