Por: diario | 30/11/2018

Termina hoje o prazo para que as empresas paguem aos seus funcionários o adiantamento da primeira parcela do 13º salário. Em dezembro, esse dinheiro é esperado por milhões de brasileiros e vem em uma época boa do ano. Para muitas pessoas traz a tranquilidade em poder fazer aquela compra desejada que não conseguiu durante o ano, mas para outros traz a ansiedade de receber o valor para quitar dívidas ou pelo menos parte delas.

De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), mais de 84,5 milhões de brasileiros devem receber o 13º salário em 2018. Estima-se que o benefício injete cerca de R$ 211,2 bilhões na economia brasileira, número que representa quase 3% do PIB nacional. A primeira parcela do pagamento deve ser realizada até hoje (30).

O economista e também professor da pós graduação do Centro Universitário para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí, Luiz Alberto Neves, atenta para alguns índices importantes.

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“O Brasil tem 62 milhões de pessoas inadimplentes, não são apenas pessoas em débito são pessoas que não tem condições de pagar o que deve, e isso é um número assustador. Considerando que a população brasileira é composta por 209 milhões de pessoas, isso representa 30% da população brasileira inadimplente”, pontua o economista.

Neves destaca ainda dados importantes em relação a População Economicamente Ativa e os rumos da economia com tantos inadimplentes por todo o país.

“Existe a População Economicamente Ativa (PEA) de um país, então no Brasil, a população econômica ativa é de 63%. Então podemos dizer que metade da população economicamente ativa do Brasil está inadimplente e por isso que a economia no brasil está se arrastando e inclusive o comércio vendendo pouco”, explica.

O economista ainda destaca que a situação impacta diretamente na economia do país.

“Se temos tantas pessoas inadimplentes, são pessoas que estão deixando de gastar, de consumir, e até de investir. Isso é um dos fatores que faz com que a economia esteja tão fragilizada. Por isso o ideal é pagar o que está devendo para então começar uma vida financeira nova”, esclarece.

Estou devendo, e agora?

Para aqueles que estão inadimplentes o economista pontua a melhor opção a acatar.

“Se você deve, e está inadimplente não tem que pensar em outra coisa a não ser pagar o que está devendo. Se for gastar um dinheiro extra que ela recebe significa que ela não vai resolver a questão da inadimplência, para esses que estão nessa situação a primeira dica é pagar o que está devendo, não existe outra consideração melhor que essa”, revela.

Planejamento

Para as pessoas que não estão endividadas e buscam controlar os gastos, de acordo com o economista a dica é fazer um planejamento.

“As pessoas precisam se planejar, todos sabe quanto ganham, mas as pessoas não sabem quanto gastam e aí que falta o planejamento. Se você sabe o quanto ganha se planeje para não gastar mais do que o valor que recebe. Se você fazer isso terá uma tranquilidade financeira, pois a inadimplência afeta até mesmo o emocional das pessoas”, pontua.

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Dicas importantes

Para quem se planejou e o décimo terceiro não está comprometido é possível guardar o valor para inicial o novo ano com a parte financeira equilibrada.

“Existem as despesas de início de ano, quem tem filhos tem matrícula, material escolar, temos despesas como o IPTU e IPVA, em alguns casos o imposto de renda a pagar. Então os primeiros meses do ano sempre conta com despesas a mais que não estão incluídas em todos os meses mas que precisam ser pagas. Uma das dicas é guardar o recurso para não ter dificuldade nas contas iniciais do ano”, explica.

Se bem aplicado, o 13º pode ser o primeiro passo para começar 2019 com a vida financeira organizada.

“Se você está com as finanças em dia, já sabe o que está no orçamento do ano que vem e o dinheiro não está comprometido em nenhuma situação, uma boa alternativa é poupar esse dinheiro, pode inclusive ser na poupança que embora pague um rendimento que não é aquelas coisas, ele é sempre superior a inflação, e todo rendimento maior que a inflação você terá um ganho real”, conta.

O economista ainda destaca que quem não tem planos com 13° salário que aproveite o dinheiro para fazer as compras desejadas.

“Aproveite e viaje, compre os presentes para os familiares e aproveite o natal e o ano novo, pois quem trabalhou o ano inteiro também precisa pensar no lazer”, finaliza.

Para o bombeiro voluntário e também assessor de comunicação, Alex de Lima, o dinheiro é uma forma de pensar em se planejar para o próximo ano.

“O 13º salário além de ajudar nas contas feitas durante o ano, possibilita passar o fim de ano um pouco melhor. No meu caso sempre tento fazer uma reserva com um valor do 13º em conta para me auxiliar durante o próximo ano, ou seja, me possibilita fazer um bom planejamento para o ano seguinte”, relata.

Já a segunda parcela, por sua vez, precisa ser depositada na conta dos trabalhadores até o dia 20 de dezembro. O dinheiro também ajudará nas despesas, contas a pagar ou para aqueles que pretendem investir ou poupar.

Tatiana Hoeltgebaum