Por: diario | 01/06/2018

O desemprego no país foi de 12,9%, em média, no trimestre encerrado em abril, de acordo com dados do IBGE. O índice subiu em relação ao trimestre anterior (12,2%), mas caiu na comparação com o mesmo trimestre do ano passado (13,6%).

Segundo o IBGE, o número de desempregados no Brasil nos três primeiros meses de 2018 foi de 13,4 milhões de pessoas. Isso representa alta de 5,7% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, são 600 mil desempregados a menos, uma queda de 4,5%.

As movimentações no mercado de trabalho indicam que há trabalhadores desistindo de procurar emprego diante da instabilidade da economia e das incertezas políticas. E as perspectivas são de mais piora no curto prazo, mesmo que pontual, devido à greve dos caminhoneiros, que entrou no seu décimo dia.

 

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Os dados foram divulgados nesta terça-feira (29) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e fazem parte da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua. A pesquisa não usa só os trimestres tradicionais, mas períodos móveis, como fevereiro, março e abril; março, abril e maio, etc.

Segundo o IBGE, o corte de vagas foi puxado pelo comércio, que perdeu 439 mil postos de trabalho em relação ao trimestre anterior.

Greve dos caminhoneiros deve afetar o emprego

O mercado de trabalho reflete a instabilidade vista na atividade econômica brasileira, em meio à uma cena política que afeta a confiança. No mais recente episódio, a greve dos caminhoneiros que já dura mais de uma semana e provoca desabastecimento generalizado em todo o país pode afetar, ainda que pontualmente, o emprego.

“Ainda esperamos melhora adicional na taxa de desocupação nos próximos meses. Porém, a estabilidade registrada no primeiro trimestre pode se estender ao segundo, por conta dos efeitos da greve dos caminhoneiros”, avaliou a consultoria Rosenberg e Associados em nota.

Para o IBGE, o impacto maior deve ficar para aqueles que trabalham indiretamente para os caminhoneiros, como carregadores, estivadores, ou vendedores em centrais de abastecimento, e que recebem por jornada diária, impactando no resultado de emprego de maio.

“São pessoas informais mais afetadas pela greve do que os próprios caminhoneiros. Aquele que sai de uma comunidade e vai para uma central de abastecimento ficou sem trabalhar ou trabalhou menos do que o normal. Ele vai entrar na pesquisa como desocupado ou subempregado por ter trabalhado menos horas que o normal”, disse Azeredo.

Trabalhadores desistem de procurar emprego

A queda no número de desempregados em relação ao mesmo período do ano passado se deve ao desalento dos trabalhadores, e não à melhora do mercado de trabalho, de acordo com o IBGE. O desalento se refere às pessoas que já desistiram de procurar uma vaga. Nos três meses até abril, o país somava 65,176 milhões de pessoas fora da força de trabalho, contra 64,868 milhões no trimestre até março.