Por: diario | 17/03/2017

Nesta quinta-feira (16), Rio do Sul amanheceu com a movimentação em torno da Operação F7, investigação que envolve uma força-tarefa entre diversos órgãos de polícia e justiça em Santa Catarina e mais dois estados. Segundo informações repassadas pela Polícia Civil e pela Assessoria de Comunicação do Estado, mais de um bilhão de reais podem ter sido sonegados em impostos através de um software desenvolvido por uma empresa de tecnologia rio-sulense, a DelSoft. Ainda, estão sendo apurados os crimes de Organização Criminosa e Lavagem de dinheiro.

18 mandados de busca e apreensão e 10 mandados de prisão foram cumpridos apenas ontem. Além de Rio do Sul, Itajaí, Criciúma, Palhoça, Londrina, no Paraná, e Presidente Prudente, em São Paulo, foram alvos das diligências.

O delegado do Departamento de Investigação Criminal (DEIC), Adriano Bini, responsável pela Operação F7, falou em entrevista que “é uma investigação que congrega Ministério Público de Santa Catarina, Fazenda Estadual, Receita Federal e a Polícia Civil, através do DEIC, com o objetivo de dar cumprimento aos mandados de busca e apreensão e de 10 prisões temporárias. É uma investigação já de longa data, que congrega todos esses órgãos e objetiva a investigação de sonegação fiscal e de lavagem de dinheiro […] algumas residências e também algumas empresas foram alvo das diligências, mas ainda não podemos divulgar mais informações para não prejudicar o andamento das diligências”, disse o delegado.

O advogado Fernando Muller, do escritório que representa cinco dos detidos na Operação F7, revela que ainda não teve acesso pleno aos autos, mas que está habilitando as credenciais do processo para que possa ter conhecimento aprofundado no caso. Fernando ainda diz que seu sócio já está em Florianópolis. “Nossa cliente está tranquila, ela não teve participação em nenhum tipo de fraude, nem de crime de sonegação, então, a gente está contribuindo com as investigações e o que os profissionais do DEIC estão solicitando nós estamos atendendo”+, afirmou o advogado.

Como atuava o software

Sendo um software de ERP, ou seja, responsável em realizar a gestão das operações de uma empresa, ele dispunha de uma função que atuava com o objetivo de sonegar impostos. Um dos módulos é capaz de controlar as vendas das empresas sem a emissão de notas fiscais ou com documentos fiscais em quantidade e valores inferiores aos realmente faturados, deste modo, as empresas clientes, usuárias do software, se beneficiavam pelo esquema fraudulento, lesando os cofres públicos. Durante as investigações, foi confirmada inclusive a apuração de pagamento de comissões sobre vendas sem notas fiscais.

R$ 1 bilhão em sonegação

Durante a investigação, chegou-se a estimar que a sonegação fiscal controlada pelo software pudesse alcançar a cifra de R$ 1 bilhão, a partir da comparação de movimentação financeira com faturamento declarado por empresas usuárias do software.

Testemunhas e presos serão ouvidos no decorrer da semana. Os nomes dos envolvidos e das empresas usuárias do software não foram revelados em função das investigações ainda estarem em curso, sendo necessária a manutenção do sigilo.

Por que Operação F7?

Para acionar os controles de vendas sem a emissão de documento fiscal, o software foi desenvolvido para que a aparência fosse de regularidade e apenas quem detivesse o conhecimento da fraude pudesse acessar os registros alheios ao faturamento declarado. Esse acesso era efetuado nos computadores pela tecla F7.

Será realizada uma entrevista coletiva hoje, às 10h, onde serão revelados mais detalhes da operação. Amanhã, na edição 987 do Diário do Alto Vale, você confere mais informações e o desenrolar deste caso bilionário.

Airton Ramos