Bolsas feitas com couro de peixe

Foto: Divulgação
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A estilista Denusa Demarchi cria acessórios inovadores através das escamas de tilápia

Já imaginou ter uma bolsa feita com couro de peixe? E se essa bolsa for exclusiva então? Essa é a ideia da timboense Denusa Demarchi, de 38 anos. Ela confecciona bolsas através das escamas de tilápias, formando modelos únicos. Mas não é apenas esse acessório, adorado pelas mulheres, que Denusa faz. Ela também faz carteiras, pulseiras, cintos e demais acessórios. Todos exclusivos.

O projeto de couro de peixe surgiu em decorrência do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). “Eu fazia faculdade de moda e precisava de um tema para o projeto, e a ideia sempre foi trabalhar com bolsas”, conta. Segundo Denusa, muitos estudantes buscam inspiração em grandes centros da moda, como Paris e Milão. “Eu quis fugir disso. Adoro morar em Timbó, e procurei o que o município tinha de fashion”, brinca.

A primeira ideia foi montar bolsas com as costuras no padrão das casas enxaimel, pois os caibros dessas casas tem função estrutural. “Conversei com um amigo que é arquiteto para me orientar, e ele me questionou sobre que material usar”. A sugestão do amigo foi sobre uma comunidade ribeirinha, do Mato Grosso, de mulheres de pescadores que colocam para curtir peles de peixes nativos.

“Nossa região é rica em lagoas, com muitas tilápias. Comecei a pesquisar e não encontrei nada no mercado. Foi aí que fiz um projeto com um professor da Udesc, que me ajudou a fazer testes para curtir a pele do peixe”, explicou. Por dois anos Denusa fez testes, curtiu mais de uma tonelada de couro de peixe até chegar ao resultado que desejava. “Ela tem que ter um toque macio e precisa aceitar outro curtimento para que fique mais estruturada”, ressaltou.

O diferencial da pele do peixe é que é totalmente ecológica. “Trabalho com a espécie de tilápia do Nilo, que só é criada em cativeiro na nossa região”, frisou. Então, se a pele não for utilizada é descartada, junto com as entranhas e cabeça dos animais. De acordo com Denusa, no Brasil o couro é totalmente descartado, mas na Europa e nos Estados Unidos já entram na categoria de couros exóticos.

Além do couro de peixe, Denusa trabalha com o de gado. “Enquanto a população comer carne, algum destino tem que ser dado ao couro do animal. Então essa questão de couro sintético é uma mentira. O correto é utilizar o que está sobrando”, frisou.

“As peças de couro de peixe são exclusivas, pois as escamas são únicas, como uma digital. Então a montagem é sempre diferente. Pode ser parecida, mas nunca idêntica”. Quanto a produção das bolsas, que a estilista começou sozinha, hoje conta com ajuda de cerca de 35 pessoas, envolvidas no processo todo. “É um dia para a limpeza, dois para o curtimento e um dia para o tingimento. Depois vem a secagem e o amaciamento”, explicou. O tempo de confecção depende de cada peça. “No curtume trabalho sozinha, mas na colagem, uma parte é feita no meu Atelier, e outra é terceirizada”.

A loja VIP, do calçadão, vende com exclusividade as bolsas com couro de tilápia de Denusa Demarchi. Nos próximos dias a loja contará com carteiras masculinas produzidas por Denusa.

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